Acredito em fadas, gnomos, gênios, sacis, reinos encantados, mundos paralelos e na responsabilidade da palavra.
Por reconhecer o poder que a palavra exerce sobre nós, tenho como critério a qualidade do conteúdo na escolha dos livros que comento. Faço um trabalho de garimpo, recolhendo pedras preciosas que identifico com meu olhar atento. Este é um trabalho independente, não mantenho vínculo de divulgação com editoras, livrarias ou escritores. Os livros indicados são adquiridos por mim e fazem parte do meu acervo pessoal, que compartilho.
Sejam bem-vindos!


Pesquise este blog

Total de Títulos Expostos

71 livros comentados, desde 2010

12 março 2015

As Fabulosas Fábulas de Iauretê


Num fim de tarde chuvoso e frio como está agora, nada melhor que escrever sobre um livro novo. Novo pra mim, acabo de descobri-lo e será mais um integrante da minha biblioteca aqui em casa. Como gosto de compartilhar o que considero bom, aqui está ele! É um livro maravilhoso pra quem gosta de papos profundos sobre a vida. A narrativa nos traz a história de uma onça, chamada Iauretê. É uma onça-rei e que por magia de Tupã, de noite vira gente e de dia bicho, uma onça pintada. A história é contada em várias histórias, que são as fábulas, de um jeito bem interessante. Tudo acontece numa sequência analógica, orgânica. As histórias/fábulas vão surgindo como se fossem tecidas ou formando uma bela trança. Cada uma tem começo meio e fim, parece  não ter relação uma com a outra, mas no final se percebe que formam uma sequência a contar uma história só, assim surgem  as aventuras da onça/gente, que se casa com uma bela indiazinha chamada Kamakuã. Desta união nascem Juruá, que tornou-se um excelente caçador e Iauretê-mirim, um grande canoeiro.
O livro tem inicio com a onça/gente caindo em uma armadilha e vendo-se prestes a morrer pelos caçadores, passa a ter lembranças de sua vida inteira e desta forma o leitor mergulha nestas lembranças e a história é tecida. Tudo é muito intenso, belo e de grande sabedoria. Transcrevo algumas frases, só pra lhe dar uma ideia da riqueza do conteúdo: "- Calma! - Ouviu o silêncio de Tupã dizer. - Quando se está no buraco, a única coisa que não ajuda é o desespero."; "Quando você se contraria e faz coisas que não são da sua natureza, você deixa de se amar."; "Justiça não é fácil! Além disso, como tudo tem uma raiz, a verdadeira justiça busca a raiz de onde nasceu a injustiça." Não são belos e profundos estes trechos? Assim é  o livro inteiro!

 Estas fábulas indigenas são trazidas por Kaká Werá Jecupé, índio de origem tapuia, escritor, ambientalista, conferencista; fundador do Instituto Arapoty, organização voltada para a difusão dos valores sagrados e éticos da cultura indígena. As ilustrações são desenhos de sua filha Sawara, quando tinha 11 anos.


Este é um belo livro, indispensável para uma boa biblioteca.
Aceitem esta aventura e mergulhem na história de Iauretê, a onça/gente,  sua bela família, meio gente, meio onça e aprendam com a sábia cultura indígena, que conhecemos muito pouco, se quase nada.






*Pode ouvir um dos contos do livro narrado por mim, através do link:
https://soundcloud.com/ala-voloshyn/o-paje-alavoloshyn

Um pouco de mim

Minha foto
Brasileira, nascida em São Paulo em agosto de 1956. SRC, formada em psicologia, blogueira, escritora, taróloga, artesã, membro da Academia Popular de Letras (Movimento Literário da Biblioteca Municipal Paul Harris de São Caetano do Sul). Mantive, de 2006 a 2014 coluna sobre Tarô no jornal, "Mais Notícias" e na revista "Mais Conteúdo" ambos de Ribeirão Pires. Por mais de 4 anos escrevi para o "Jornal Paulistano" da Zona Leste de São Paulo, e Jornal "Giro Rápido". Colaborei no jornal "abc Mulher" de São Bernardo do Campo. Sou articulista do jornal "Enfim", de São Caetano do Sul, desde 2009. Autora do livro infanto-juvenil "Pimenta do Reino", lançado em 2008. Participei da Antologia "de Maria a José", lançado em 2012. Em 2004 produzi e apresentei o programa "Abra a Cabeça", via internet, na It's TV. Participo de programas de Rádio e TV em entrevistas desde 1993. Realizo contação de histórias e palestras em escolas, empresas e residências. Desde abril/2017 atuo como voluntária contando histórias para população que apresenta deficiência múltipla, síndromes raras (AME) e surdocegueira na ADEFAV - centro de recursos em deficiência múltipla, surdocegueira e deficiência visual.