Projeto Independente

Acredito em fadas, gnomos, gênios, sacis, reinos encantados, mundos paralelos e na responsabilidade da palavra.
Por reconhecer o poder que ela exerce sobre nós, tenho como critério a qualidade do conteúdo na escolha dos livros que recomendo. Realizo uma curadoria de Literatura Infantil, busco material que possa contribuir para o aprimoramento humano.
Desde 2010 faço um trabalho de garimpo, recolhendo "pedras preciosas" que identifico com meu olhar atento.
Por ser um projeto independente, não mantenho vínculo de divulgação com editoras, livrarias ou escritores. Os livros compartilhados são adquiridos por mim e fazem parte do meu acervo particular.
Sejam bem-vindos!

20 abril 2023

Roverando

Esta é uma história incrível, imaginada e escrita por J.R.R. Tolkien num esforço de consolar seu filho Michael, quando estava com 4 anos e havia perdido seu cachorro de brinquedo na praia. É a história de Rover, um cachorrinho branco e preto que arranjou uma encrenca com um mago que o enfeitiçou transformando-o num cachorro de brinquedo. E foi assim que começou a grande aventura do cachorrinho deste livro chamado Roverando, nome que vem da edição em inglês, Roverandom, resultado da junção de duas palavras: Rover (nome do cachorrinho, que significa “andarilho”) e Random, que é “casual ou sem rumo”, isto é, temos aqui um cachorrinho andarilho que vive muitas histórias fantásticas, com indivíduos que você não imaginaria numa história, mas Tolkien, sim! Esse nosso amiguinho até para a Lua vai, não deixando de contar as suas aventuras pelo Mar e claro, não faltaria um dragão!

É uma delícia participar das conversas entre um brinquedo e camarões numa sacola, de imaginar um cachorrinho diminuindo de tamanho a ponto de ver a grama se transformar numa extensa floresta! Mas não conto tudo, pois as aventuras de Rover são inimagináveis!

Tolkien sempre coloca em sua fantasia frases que despertam muita reflexão, pois ele é um escritor de fato fantástico! Veja se não tenho razão: “- Para que você quer se mexer? – perguntaram os outros brinquedos. – Nós não queremos. É mais confortável ficar parado e não pensar em nada.” Ou então, “Eu não reproduzi aqui toda a discussão dos dois, claro, foi comprida e complicada, como sempre acontece quando ambos os lados estão certos.”

Esta edição é de 2022 e a tradução para o português é de Rosana Rios.

Mais uma boa leitura recomendo, mais livro de Tolkien, um escritor atemporal.

 



 

06 abril 2023

Tommelise

 

Hans Christian Andersen (1805 – 1875), nasceu na cidade de Odense, Dinamarca, filho de um sapateiro e uma lavadeira, é um dos mais consagrados escritores da literatura para crianças do mundo todo! Criador do Patinho Feio, O Rouxinol, Nicolau Grande e Nicolau Pequeno, A Sereiazinha, Polegarzinha, Soldadinho de Chumbo, A Princesa e a Ervilha, A Rainha da Neve, Mágoas do Coração e muito mais!

Tommelise é o meu destaque de agora! Hans C. Andersen inventou esse nome para a personagem deste conto. Tomme, em dinamarquês, quer dizer ‘polegar’ e Lise é um nome próprio. E assim, Tommelise significa menina pequena como polegar.

Conta Andersen que uma mulher foi procurar uma velha bruxa para pedir-lhe ajuda, pois queria muito uma criança bem pequena, mas não sabia como encontrá-la. A bruxa então, deu-lhe um grão de cevada especial, não era um grão de comer. Disse à mulher para colocá-lo num vaso de barro e esperar para ver o que aconteceria!

Desse grão surgiu uma bela flor, uma tulipa e entre as suas pétalas estava uma linda menina! Pequenina, miúda, delicada e por ser assim, foi chamada de Tommelise!

Esta pequenina viveu muitas aventuras entre flores e com encontros inusitados! Uma sapa, um besouro, uma rata e toupeira! Todos maiores que Tommelise e encantados pela sua beleza e bondade! Até um casamento foi arranjado para ela com a toupeira, imaginem só!

Ela era admirada, querida e desejada, mas não encontrava seu lugar, era tão diferente de todos e sentia que lhe faltava seu semelhante, com quem pudesse se encontrar. Aqueles com quem pudesse ser parte. Mas tão pequenina, não sabia se mais pequeninos existiam. Até que com a ajuda de uma andorinha, se defronta com o Anjo das Flores, tão pequeno e gracioso quanto ela! Por fim Tommelise encontrou seus pares! Via que de dentro das flores surgiam outros pequeninos também e que por ser tão bela, deram-lhe outro nome, Maia, mais bonito, disseram! Como é bom sentir-se integrado, não é?

Num ambiente com inúmeras flores, pássaros e animais, a aventura de Tommelise é um convite fantástico para refletirmos sobre a importância de se perceber a própria identidade! E claro, com outras inúmeras reflexões e percepções que a literatura nos traz.

Esta edição é projeto gráfico de Mary França e Eliardo França.

Boa leitura!




21 março 2023

Histórias de Bombeiros

 

Trago para vocês um livro muito interessante! São histórias de bombeiros, com ocorrências de incêndios, salvamentos e resgates contadas pelos próprios bombeiros! Demais, não é? Eu acho!
Mariza Lima Gonçalves, que é professora e escritora escreve com seu marido Edson Gonçalves, Coronel Veterano do Corpo de Bombeiros de São Paulo. Juntos, nos trazem inúmeras histórias, narradas por quem as viveu, são mais de cem, onde encontramos tragédias, outras  relacionadas às mulheres, horas de folga, aventuras, coisas estranhas, engraçadas e curiosas, curtas e breves, de recrutas, animais, e mais umas tantas variadas. Atendimentos que ocorreram principalmente no Estado de São Paulo a partir dos anos 1960. 
Além das ocorrências temos expressões, e a cultura da profissão. Termos técnicos, nomes de ferramentas, siglas, jargões, gírias da caserna são explicados em notas de rodapé, o que enriquece muito as narrativas. Pois esta é um profissão que admiramos, mas pouco sabemos sobre seus fundamentos e características.
E mais, todo o lucro obtido na venda desta edição é destinado à FUNDABOM - Fundação de Apoio ao Corpo de Bombeiros da Polícia Militar do Estado de São Paulo (www.fundabom.org.br) .
Você irá se emocionar, rir, se admirar e gostar das histórias, eu sei, por mais que algumas sejam tristes ou trágicas. São homens e mulheres que se dedicam ao outro e tem como característica principal a satisfação de servir. Talvez a definição de bombeiro em japonês seja a mais fiel ao espirito do bombeiro: "o Samurai que previne e apaga".
Conhece a Canção do Corpo de Bombeiros de São Paulo? Termino esta matéria com ela. A música é composta pelo Ten Cel PM José Ferreira de Abreu e letra é autoria do Sd PM Luiz Alberto Rocha.
"Somos nós os audazes Bombeiros / Cumpridores do nosso dever / Que no fogo voraz lutaremos / Para salvar ou morrer / Ao alarme partiremos / A sirene nos apraz / No perigo estaremos / Levando momentos de paz / Nossa vida é lutar pelo povo / No incêndio e no salvamento / Se o destino está sempre em jogo / Só Deus nos dá seu alento / Com coragem seguiremos / Olhar franco e tenaz / Sempre unidos estaremos / Trazendo momentos de paz / Sempre alerta e altaneiros / O sinistro vamos combater / Orgulhosos de sermos Bombeiros / Enfrentamos sem nunca o temer / Para a frente companheiros / Vigilantes e leais / Ao Estado, nós Bombeiros / Daremos momentos de paz." 
No Youtube poderá ouvir a canção:
Boa leitura!


eu com os autores 


09 março 2023

O Tesouro da Casa Velha

 

"Não tendo o seu endereço, lanço estas palavras ao vento, na esperança de que ele as deposite em suas mãos. Admiro e amo você como a alguém que vive em estado de graça com a poesia. Seu livro é um encanto, seu lirismo tem a força e a delicadeza das coisas naturais. Ah, você me dá saudade de Minas, tão irmã do seu Goiás! Dá alegria na gente saber que existe bem no coração do Brasil um ser chamado Cora Coralina." Escreveu Carlos Drummond de Andrade, em 14 de julho de 1979, para Cora.
Assim definiu Drummond,  Ana Lins dos Guimarães Peixoto Bretas, que somente aos 76 anos de idade tem seu primeiro livro editado! E assim fica a marca de Cora Coralina, que não se filiou a nenhuma corrente literária, mas desenvolveu seu estilo próprio, uma poeta e uma grande contadora de histórias que descrevem o cotidiano, os causos, as inquietações humanas, num ambiente da velha Goiás.
Este livro traz uma seleção dos contos de Cora, feita por Dalila Teles Veras. São dezoito contos que nos envolvem e enternecem. Entre eles estão A Menina, as Formigas e o Boi, que gosto muito, pois conta sobre a menina Cora e fica claro que sempre foi uma poeta sensível, de imaginação sem par. Também se lê As Capas do Diabo, Candoca, Medo, O Boi Balão, Ideal de Moça e mais uns doze contos.
Nas primeiras páginas encontramos a biografia de Cora Coralina escrita por sua filha Vicência Brêtas Tahan, rica em detalhes da vida desta escritora tão admirada e respeitada pela sua ousadia em ser fiel a si mesma. 

10 fevereiro 2023

Ferreiro do Bosque Maior

 

Este conto de J.R.R. Tolkien, é sua última história escrita, publicado em 1967, quando ele estava com 75 anos.
Bosque Maior é uma vila muito conhecida pela sua culinária e pela tradicional Festividade das Boas Crianças, celebrada a cada vinte e quatro anos, onde seu ápice é o Grande Bolo, que é dividido em vinte e quatro pedaços para vinte e quatro crianças convidadas. E desta vez o bolo traz em uma de suas fatias uma estrela mágica, passaporte para Feéria, o Reino das Fadas. O premiado é o jovem Ferreirinha, que tem a oportunidade de conhecer um mundo fantástico, com suas maravilhas e desafios, como qualquer mundo!
O conto nos expõe magia e sua técnica, imaginário e racionalismo, pragmatismo e as verdades mostradas pelos elfos, sem justificativas ou explicações, apenas nos convida a transitar pelo mundo das fadas!
Tolkien é um escritor que tem minha admiração e respeito. É capaz de conduzir o leitor para seu universo imaginado com maestria e desta forma a leitura é suave e profunda, com muitos ensinamentos infiltrados e pulverizados entre as linhas escritas. O tempo voa quando se lê Tolkien, porque ele sabe nos envolver, talvez por acreditar e viver o que escreve, penso eu.
Destaco um pequeno trecho, que considero descrever bem a tônica do Ferreiro do Bosque Maior: "A Festividade das Boas Crianças, para a qual não muitas eram convidadas. Sem dúvida, algumas que mereciam ser convidadas eram desconsideradas, e algumas que não mereciam eram convidadas por engano, pois é assim que as coisas acontecem, não importa quão cuidadosos aqueles que organizam tais assuntos tentem ser." Tem a ver com sorte ou outro critério que desconhecemos? Fica a pergunta.
As ilustrações são de Pauline Baynes e a tradução para o Português é de Cristina Casagrande.



26 janeiro 2023

As Aventuras de Pinóquio

 

Quem não conhece a história de um pedaço de madeira falante, que aparece na oficina de mestre Cereja, que assustado, decide presentear o amigo Gepeto, que transforma aquele "presente de grego", em uma marionete em forma de menino? E por tanto empenho e amor de Gepeto, aquele pedaço de pau, manifesta vida, que encanta seu criador, mas lhe traz muita dor de cabeça também!
Sei que você já identificou a história do boneco mentiroso! Mas Pinóquio é muito, mas muito mais que isto.
Esta fascinante história foi escrita por Carlo Collodi, pseudônimo de Carlo Lorenzini (1826 - 1890), que nasceu em Florença, na Itália. Foi jornalista, crítico musical e dramaturgo. Começou a escrever literatura infantil em 1876. As Aventuras de Pinóquio, foram lançadas em 1881, em um jornal italiano direcionado às crianças, com o nome de Storia di un Burattino. A primeira edição em livro surgiu em 1883 e desde então, Pinóquio faz parte do imaginário de pessoas de várias gerações, como uma boa narrativa que se eterniza.

Mantenho na minha biblioteca três livros sobre Pinóquio, que descrevo nesta matéria:

Esta edição que trago em destaque é de 2002, tradução de Marina Colasanti, com ilustrações de Odilon Moraes.
Gosto muito desta versão, que se mantém fiel à criação de Collodi, o que valorizo bastante, pois penso que a autoria deva ser respeitada, sem interferências no texto original. 
As ilustrações são de traço fino e delicado, o que faz uma composição bonita com a escrita. O trabalho editorial é delicadamente bem cuidado, o que valoriza a obra.

 Tenho uma outra versão, bem mais antiga, que adquiri num Sebo, tradução de Monteiro Lobato, que data de 1979, em 12a. edição, com ilustrações de Ademir Pontes. Também se mantém fiel ao texto original, que comparei à tradução de Marina Colasanti e não percebi diferenças, fato que valorizo, pois a meu ver, são duas fontes confiáveis no que se refere ao conteúdo.

Pra terminar, numa edição mais recente, de 2018, tenho um reconto, o que parece bastante interessante, se não fosse a interferência autoral, onde percebe-se uma influência de valores. Se eu não conhecesse as Aventuras de Pinóquio, não compreenderia a narrativa no seu sentido original.

E este é um ponto que destaco, pois recontos de obras clássicas,  consagradas ou atualizações de linguagem sempre são bem-vindos, no entanto, se geram distorções de sentido, com interpretação alheia ao original, merecem avaliação atenta. Portanto, sugiro a quem deseja ler um reconto, que conheça esse original, para conseguir identificar interferências no conteúdo, quando elas acontecem. Isto é, o poder de discernimento do leitor é fundamental na escolha do livro.

E o que existe de tão interessante e importante na obra de Collodi?
O autor traz a possibilidade de compreensão e reflexão sobre a evolução do ser humano, ou seja, como nos transformamos de fato em seres humanos com suas características essenciais. Ressalta a importância do desenvolvimento da consciência, que vai acontecendo no decorrer da história. Pinóquio se envolve com uma série de dificuldades e problemas por falta de consciência, e por isso se deixa conduzir pelo meio como uma marionete. A mentira que é tão destacada popularmente na narrativa, na verdade revela a ausência de responsabilidade de Pinóquio nas suas ações. Na sua inconsciência não percebe a repercussão dos seus atos e por isso se mantém refém de si mesmo na sua inconsequência. 
A marionete de madeira só se torna um menino humano quando adquire a tão importante consciência e esta, no meu entender, é a mensagem mais importante do livro. E por isso, As Aventuras de Pinóquio deve ser lido com profundo envolvimento com seu significado.
ilustração ed. 2002

ilustração ed. 2002

ilustração ed. 1979

ilustração ed. 1979

*DEIXE AQUI SEU COMENTÁRIO SOBRE ESTA MATÉRIA. SUA OPINIÃO É SEMPRE MUITO BEM-VINDA! 





13 janeiro 2023

O Hobbit

 

Esta é uma magnífica aventura de Bilbo Bolseiro e um grupo de anãos, que enfrentam vários desafios, em busca de um tesouro guardado por um dragão, escrita por J.R.R. Tolkien.  
O Hobbit foi publicado pela primeira vez em 1937 e esta história, acreditem, surgiu de uma frase escrita por Tolkien! Enquanto corrigia provas para o Certificado Escolar, em meio a um cansaço interminável, numa tarefa imposta sobre acadêmicos, como ele era na época, com contas a pagar e filhos para criar. “Numa toca no chão vivia um hobbit.”, rabiscou numa folha em branco, porém no início dos anos 1930, tornou-se O Hobbit! 
Vale a pena destacar que foi no ano de 1929 que a história começou a surgir, enquanto Tolkien falava sobre um pequeno ser com pés peludos para seus filhos e lhes perguntou como devia chamá-lo, e ao mesmo tempo disse: “acho que vamos chamá-lo de ‘hobbit’!” E por muitas noites contava as aventuras do pequeno ser a eles, que como ouvintes atentos e críticos, tem boa parcela de autoria na contação do pai. E, por curiosidade, façam as contas, os primeiros sinais de Bilbo Bolseiro surgem em 1929, mas somente em 1937, vem a público, através da primeira edição do livro! 
Esta narrativa, descreve com tanta suavidade e encanto a Jornada do Herói, que se torna quase imperceptível a sequência, mas para um olhar atento, não restam dúvidas de que o nosso querido Hobbit vive a aventura, que é a de todos nós: a aventura de evolução como seres humanos.  
Tolkien escreve e ilustra esta belíssima história, de um serzinho com pés peludos, que nos ensina como não desviar da bela jornada de aperfeiçoamento que chamamos Vida! Leitura mais que recomendada!



 


20 dezembro 2022

Fragmenta Amoris

 

Fragmenta Amoris é resultado de uma jornada de Escrita Criativa, do Laboratório de Jovens Escritores, que teve seu início em abril, e encerramento culminando com o lançamento do livro em 17 de dezembro de 2022, em São Caetano do Sul-SP.
Foram oito meses de encontros sobre escrita, leitura, com ênfase na pessoa que escreve. O respeito e fortalecimento da individualidade foram elementos importantes para o desenvolvimento da escrita de jovens talentosos, criativos e de grande valor humano. Uniu-se autoconhecimento, reflexão, conversa, questionamento, percepção sobre o ato de escrever e seu potente valor, com o desenvolvimento da escrita criativa, com todos seus nuances, gerando aprimoramento da autoexpressão dos alunos, jovens entre 15 e 19 anos, mediados pelos escritores Ala Voloshyn e Nelson Albuquerque Jr.
Os próprios autores escolheram o tema Facetas do Amor para criarem seus textos, que resultou no Fragmenta Amoris. São eles, 
Caroline Negreiros, Cinth aRaquel, Isa Castro, Letícia Farias, Nicolli Farias, Renan L. de Mattos Pimenta, Sabrina Tinoco Bartolillo, Sofia Caviño, Thiago Oliveira, Vitor A. S. Mimaki e Yasmim Carvalho Santos, criadores desta antologia composta por contos e poesias.
A ilustração da capa é arte de Thiago Oliveira e Isa Castro. Os organizadores são Ala Voloshyn e Nelson Albuquerque Jr. 
Pedro Amaro de Moura Brito e João Rodrigo de Moura Brito, são os editores, da Pedro & João Editores, de São Carlos-SP.
Contato para mais informações sobre o livro, autores e organizadores pode ser feito pelo e-mail alavoloshyn22@yahoo.com.br 


Jovens Escritores


07 dezembro 2022

A Parte que Falta Encontra o Grande O

 

Este livro é a parte II do A Parte Que Falta, de Shel Silverstein e posso dizer que é uma excelente continuação ou conclusão do primeiro livro. Trata da procura pela completude, integração, felicidade.

Nosso personagem busca incessantemente se completar ou melhor, formar par, integrar-se a outro para se sentir completo e quanto mais busca mais se frustra, até encontrar o grande O e assim entende que buscar fora sempre resultará em estado incompleto.

O grande O lhe mostra que poderá crescer, se aperfeiçoar até chegar ao estado de um O e viver na inteireza de si mesmo. É na busca da verdadeira identidade e esforço de aperfeiçoamento que se pode chegar a experimentar o que definimos por felicidade.

Belíssima conclusão de Silverstein, que também ilustra seu texto de forma tão clara e objetiva, que dá ao leitor oportunidade de refletir sobre a importância do esforço pelo aperfeiçoamento pessoal.

Leitura para todas as idades é este livro e seu anterior, A Parte Que Falta. Imperdível!



25 novembro 2022

A Parte que Falta

Imagine um ser, sentindo-se incompleto, buscando incessantemente a parte que lhe falta!
Este é o tema deste livro incrível, que tem na simplicidade do texto e ilustração seu grande forte. O que se destaca aqui é um importante estímulo à reflexão, em relação à insatisfação consigo mesmo, acreditando-se que a solução está no externo. As passagens que o personagem principal vive são ao mesmo tempo engraçadas e frustrantes, revelando a vida em ação. E como um bom livro infantil, tem seu público a começar pela infância e a se perder no infinito das gerações. Este poema é um excelente exemplo disto.
Seu autor e ilustrador é Sheldon Allan Silverstein (1930-99) ou Shel Silverstein. Nascido em Chicago (Estados Unidos) teve suas primeiras histórias publicadas no jornal militar Pacific and Stripes, enquanto servia o exército americano na Coreia, nos anos 1950.
Tem vários livros publicados como Leocádio, o Leão Que Mandava Bala, Uma Girafa e Tanto, Quem Quer Este Rinoceronte?, entre outros. Também se popularizou como letrista de música, especialmente no estilo country. Escreveu também algumas peças de teatro e roteiros de cinema.
Este livro tem continuidade com outra edição intitulada A Parte Que Falta Encontra o Grande O, que será destaque na próxima postagem.




28 outubro 2022

Casa das Estrelas

 

Adulto: "Pessoa que, em toda coisa que fala, fala primeiro de si". (Andrés Felipe Bedoya, 8 anos)
Coisa: "É uma coisa que serve para muitas coisas". (Nelson Ferney Ramírez, 7 anos)
Espelho: "Que olha muito". (Lolita Buitrago, 5 anos)
Espírito: "O espírito é uma lembrança da mente". (Pablo Mejía, 10 anos).
Família: "Papai e mamãe estão me esperando". (Jonatan Norbey Román, 9 anos)
Imortalidade: "É como estar vivo e dizer que estamos mortos". (Weimar Grisales, 9 anos)
Lar: "Um lar é uma creche". (Carolina Zuluaga, 8 anos)
Natureza: "Eu não andei por lá". (Yeison David Pérez, 6 anos)
Poeta: "É qualquer pessoa que voa pelo ar". (Sandra Milena Mazo, 7 anos)
Sangue: "É quando alguém mata um amigo". (Paula Andrea López, 9 anos)
Sonho: "Com minha mamãe, muito". (Weimar Román, 7 anos)
Tempo: "É um relógio que move e move uma mão até que se cansa". (David Jaramillo, 9 anos)
Terra: "É um sentimento do espaço". (Lucas García, 11 anos)
Estas aqui, são algumas definições coletadas por Javier Naranjo, professor e poeta colombiano, que ao longo dos anos teve interesse em saber o olhar das crianças, seus alunos.
"Casa das Estrelas", edição 2018, é uma coletânea fantástica a expressar o quanto uma criança pode enxergar com beleza, tristeza, sabedoria, alegria, esperança, vivacidade, verdade cruel, pureza, o mundo em que vive. 
Quantas vezes ouvimos a criança? E quantas vezes enxergamos a criança? Quanto sabemos sobre o  que ela sente, pensa, acredita, teme, ama, deseja, vive? Sabemos? Importa-nos? Ou, como adultos, vemos nela um depositário de ideologias, hábitos, crenças, que carregamos sem questionar sua consequência, apenas repetimos.
Uma criança é um ser humano em crescimento, que se for ouvida, vista, compreendida, mostrará em essência a profundidade e extensão de ser humano. E este livro é um bom começo para desenvolvermos um olhar mais fraterno, benéfico, atento e consciente sobre o ser criança.
As ilustrações são de Lara Sabatier. A tradução para o português é de Carla Branco.
Mais uma sugestão de leitura lhes trago, com imensa satisfação pela descoberta deste livro. 





14 outubro 2022

Serões de Dona Benta

 

O autor do texto, José Bento Renato Monteiro Lobato, ou Monteiro Lobato, desde criança esteve envolvido com a literatura. Lobato nasceu em Taubaté, interior de São Paulo, em 1882 e faleceu em 1948. Foi advogado, promotor, escritor, ativista e tradutor brasileiro. Desde criança gostava de escrever e na escola se dedicava a pequenos textos e participava de jornais. Teve quatro filhos. Criou a turma do Sítio do Picapau Amarelo: a boneca Emília, os primos Narizinho (Lúcia) e Pedrinho, Visconde de Sabugosa, Dona Benta, Tia Anastácia e tantos outros personagens que nos encantam até hoje. Também escreveu artigos, críticas literárias, crônicas e um romance.
Devido à sua grande contribuição para a literatura, dia 18 de abril, dia de seu nascimento, tornou-se o Dia Nacional do Livro Infantil. 
Nesta edição encontramos vinte e dois contos, onde Monteiro Lobato, traz a sabedoria da vovó, para explicar para Narizinho, Pedrinho e Emília, as belezas da Ciência, sem nenhuma complicação, mas num clima divertido e criativo. Ela fala sobre o sistema solar, os elementos da natureza, por exemplo, de uma forma que desperta nos seus pequeninos ouvintes, curiosidade e vontade de saber mais.
As ilustrações seguem o clima de aconchego e leveza visíveis no texto e são autoria de Fernando Silva ou Fendy Silva, natural da cidade de São Paulo é ilustrador, designer e arte-educador com especialização em educação infantil. Sempre foi uma criança que transformava sua imaginação em desenho.
Fica aqui mais uma dica para boa leitura.
  


28 setembro 2022

O Menino Que Virou Escritor

 
















"Dedé foi criado no interior da Paraíba, no engenho do avô José Lins, o Bubu. A mãe tinha morrido quando o menino era pequeno e mal começava a engatinhar pelo chão de tijolo. O pai, João Rego, vivia longe. Não aparecia nunca, era como se tivesse morrido também. A avó era implicante e vivia dando bronca. Ou cochilando na cadeira de balanço. O avô era um grande senhor, importante, solene. Não perdia tempo com criança. Quem cuidava do menino eram as tias." Assim Ana Maria Machado conta a história deste menino, que bem cedo conheceu a dor da solidão e a falta da mãe. O livro é de uma escrita linda! Ana Maria vai aos poucos tecendo a história de Dedé, que nasceu em 1901,  e através de sua trama vamos compreendendo como um escritor se constrói e quais características e vivências vão traçando seu destino. É um menino, que pela sua solidão, tem um senso de contemplação aguçado. Tem como seu espaço o engenho do avô e por isso pode observar os detalhes de toda maquinaria que compunha o lugar, peça por peça, engrenagem por engrenagem. Como seus avós não lhe davam atenção devida, passava horas conversando com mestres de ofício, carpinteiros, pedreiros, tanoeiros, mecânicos. Tudo queria saber, e tudo lhe contavam, a curiosidade já estava se desenvolvendo. Banhos de rio, em água fria, contrastando com intenso calor. Subidas em árvores, frutas variadas para experimentar, os deliciosos cafés da manhã com cuscuz, milho cozido, mandioca e requeijão mimavam seu paladar. Davam ao menino a percepção de muitas sensações. Tinha Jasmim, um carneirinho bem branquinho, que cuidava com todo zelo e carinho. Já ia aprendendo, o menino, sobre os cuidados que a vida solicita. À tardinha costumava sair, muitas vezes sozinho, para passear montado no seu carneirinho, Jasmim, e desta forma Dedé aprendia a estar consigo mesmo. Seu poder criativo crescia cada vez mais quando se imaginava um verdadeiro príncipe de histórias ou um cavaleiro andante. Para o menino não faltaram contações de histórias. De noite, muitas vezes as pessoas se reuniam em volta de uma lamparina ou fogueirinha para ouvir histórias de dar medo! E assim o menino ia aprendendo como se conta uma boa história, recheada de muitas emoções. Mas a Velha Totônha era a melhor das contadeiras, ia contando as histórias mais lindas do mundo, principalmente quando Dedé estava doente. E suas histórias embalavam o menino tristonho e solitário, que sentia falta de sua mãe. E a cada história contada, mais crescia a imaginação deste menino tão rico em suas vivências! Ele foi para a escola tardiamente e teve que ir para um colégio interno, pois na sua localidade não havia escola. Era humilhado, tido como incapaz e castigado pelo que se acreditava que devia. Menino sofrido esse Dedé! Mas ele cresce, se forma em Direito, começa a publicar artigos em jornais. Descobre que gosta de escrever. É reconhecido como um bom escritor. Seu primeiro livro se intitula Menino de Engenho. Ele se tornou famoso e respeitado pela sua escrita, e uma grande obra nos deixou. Saiu desta vida em 1957. Esta é a história do escritor José Lins do Rego! 
Ana Maria Machado, é carioca, nascida em 1941. Escritora premiada, com vasta obra literária.
As ilustrações são de Ciro Fernandes, paraibano , nascido em 1942. Ele é xilogravurista, artista plástico e ilustrador. Se desejar conhecer seu trabalho, visite seu Instagram @cirofernandesxilo.



15 setembro 2022

O Discurso do Burrinho

 

Em um reino muito distante acontecia a 21a. Convenção Internacional dos Bichos e o Rei Mico Leão Dourado VI e a Rainha, de forma inédita, escolheram quatro improváveis habitantes da selva, para discursarem: a Galinha Filomena, a Tartaruga Kira, o João de Barro e o Burrinho Alencar! Muitos não acreditaram na capacidade deles, nem eles! Mas, mesmo inseguros, aceitaram o chamado do Rei.
E assim se faz esta bela história, ao mostrar a riqueza da diversidade e a importância da individualidade a gerar a marca viva de cada um na evolução.
Os discursos dos convidados foram brilhantes por suas mensagens, mas do burrinho emocionou a todos, pela sua sabedoria e humildade.
Esta narrativa alegre e poética irá sensibilizar crianças e adultos.
Quem escreve é Eli Antonio Luizaga, também conhecida como Tulip. Brasileira de nascimento e Galega de alma, como ela mesmo diz. É escritora e este é seu primeiro trabalho autoral. Ativa no meio literário, canta e conta histórias com sua trupe Tulip Cantando Histórias.
As ilustrações são de Bibi Oliveira, que traz graça e cor ao texto.




17 agosto 2022

Caibalion - a viagem da vida


Mais um livro de Lúcia Helena Galvão, filósofa, professora, escritora e voluntária há mais de 30 anos em Nova Acrópole, uma escola de Filosofia à maneira clássica. 
Aqui, Lúcia Helena escreve para o público infantil, que conhecerá Hermes, o guia e mestre e Elias, um menino, muito atento, cheio de inquietações a respeito do mundo em que vive. Esta aventura tem como protagonistas os sete princípios do Caibalion, uma sabedoria datada de mais de 3.500 anos atrás, que revela Preceitos Herméticos, atribuídos ao Instrutor egípcio conhecido entre os gregos como Hermes Trismegisto, o "Três Vezes Grande".
A narrativa se desenvolve de forma lúdica e leve, onde Hermes explica para Elias os sete prícípios herméticos que regem o Universo, relacionando-os às vivências mais simples, dando a Elias a possibilidade de compreensão.
Um dado interessante, que enriquece o livro, é que as ilustrações feitas por Elaine Ladeira,  foram baseadas em desenhos realizados por crianças do IPEARTE - Instituto Paraense de Educação e Arte, que tem como missão despertar a sensibilidade, e a precepção do belo, desenvolvendo a criatividade através da arte, por meio da música, teatro, dança, pintura, poesia e artesanato Os desenhos originais das crianças, com seus devidos créditos, estão incluídos no livro.
Para aqueles que se interessam pelo tema, mostro o livro Caibalion logo abaixo.


ilustração








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