Projeto Independente

Acredito em fadas, gnomos, gênios, sacis, reinos encantados, mundos paralelos e na responsabilidade da palavra.
Por reconhecer o poder que ela exerce sobre nós, tenho como critério a qualidade do conteúdo na escolha dos livros que recomendo. Realizo uma curadoria de Literatura Infantil, busco material que possa contribuir para o aprimoramento humano.
Desde 2010 faço um trabalho de garimpo, recolhendo "pedras preciosas" que identifico com meu olhar atento.
Por ser um projeto independente, não mantenho vínculo de divulgação com editoras, livrarias ou escritores. Os livros compartilhados são adquiridos por mim e fazem parte do meu acervo particular.
Sejam bem-vindos!

30 abril 2017

Contos e Lendas da África

Quando desejar um conto com profundidade e grande sabedoria escolha o africano.
Este livro traz 17 contos da tradição oral. Excelentes para provocar reflexões importantes, com ensinamentos sem lições de moral. Apenas a história é o bastante para despertar percepções mais aguçadas sobre o universo das relações humanas, sua diversidade e complexidade. No cenário da narrativa vemos animais, princesas africanas, bruxos, caçadores a nos despertar a atenção página por página.
A escrita é de Yves Pinguilly, um francês, grande conhecedor do continente africano. A ilustração é arte de Cathy Millet, pseudônimo de Christian Roux.
Uma obra como esta não pode faltar num lar, biblioteca e escola!

Tema da Postagem: Contos; Lendas; África

* Narro o conto Abdu, o Cego e o Crocodilo, de Uolof, Senegal. Ouça no SoundCloud através do link
https://soundcloud.com/ala-voloshyn/abdu 

12 abril 2017

108 Contos e Parábolas Orientais

 Uma sugestão mais que feliz lhe faço. 108 contos e parábolas orientais selecionados e comentados por Monja Coen. Valiosos esclarecimentos espirituais sob a ótica da tradição Soto Zen Budista.
Numa linguagem de fácil entendimento, para estimular no leitor, diz Monja Coen: "o anseio para o encontro profundo e verdadeiro com sua própria natureza. E, através da apreciação, reflexão, estudo, e meditação sobre estes contos, possa acessar a mente desperta e torná-la cada vez mais sua, mais intima, mais clara."
Por ser uma leitura simples é uma ótima sugestão para crianças, mas na verdade, é indicação para toda pessoa que deseja se aprimorar.

Tema da Postagem: Tradição Soto Zen Budista; Contos; Parábolas

Se desejar ouvir um dos contos, pode fazê-lo acessando o link:
https://soundcloud.com/ala-voloshyn/cada-pessoa-tem

15 fevereiro 2017

Tarde de Inverno

Poema de Jorge Luján, que traduz em poucos versos os sentimentos de um menino que espera por sua mãe com os olhos grudados na janela, numa tarde de inverno. Ele faz desenhos com o dedo na vidraça embaçada e através deles procura por sua mãe.
As palavras traduzem bem a espera paciente, a alegria ao avistar a mãe no caminho de volta e o abraço desejado. Mas é fascinante ver as imagens de Mandana Sadat! O que mais impressiona é sua sensibilidade ao ilustrar os sentimentos da criança. É belíssima a tradução em figuras, onde um olhar atento e sensível perceberá detalhes refinados de cada parte da narrativa. Se não existisse o texto, as imagens bastariam para o entendimento do cenário.
É um banho de sensibilidade e afeto cada página deste livro. Absolutamente imperdível!
A dupla de criação tem seu valor reconhecido. Jorge Luján, nasceu em Córdoba, Argentina, formado em arquitetura, desde 1978 mora na cidade do México e tem várias obras literárias publicadas, que lhe renderam alguns prêmios. Em parceria com Mandana Sadat, o resultado só poderia ser belo! Ela nasceu em 1971, na França. Após se formar em Belas-Artes pela Universidade de Estrasburgo, dedicou-se a escrever e ilustrar livros infantis. Também tem vários prêmios, entre eles o Prix France Télévision, em 2006.

 Tema da Postagem: Saudade; Sentimento

Ilustração

28 novembro 2016

De Medos e Assombrações

O medo é um tema que alguns gostam e outros não, alguns acreditam que deva ser evitado na escrita para crianças e outros não. Assunto bom para debates! Mas não há divergência quando olhamos para nós e percebemos que medos existem bem lá no fundo de nosso ser, alguns guardados e outros esperando sua vez para se mostrar. Ninguém pode negar seus medos! E como lidar com este que pode ser um inimigo, quando nos deixa acuados ou um grande amigo, quando conseguimos supera-lo e dar mais um belo passo nesta nossa empreitada chamada vida!
Neste livro há seis contos escritos pela grande Cora Coralina. Aqui foi feita uma seleção de textos sobre o medo, que também podem ser encontrados no Tesouro da Casa Velha, onde só fica faltando o Procissão das Almas, que eu pessoalmente gosto muito, porque alma é um assunto que me interessa!
Nesta edição estão As Capas do Diabo, O Capitão-mor, Medo, O Corpo de Delito, Candoca e Procissão das Almas. São narrativas que não devem nada a Edgar Allan Poe, só pra você ter uma ideia do clima que se forma no decorrer das páginas! Cora, como sempre, vai nos envolvendo com seu jeito poético, simpático e sincero de contar. Fica muito difícil de não se arrepiar de medo ao mergulhar nas cenas descritas!
A composição texto/imagem fica perfeita com o belo trabalho do ilustrador Soud, um carioca, que vive em São Paulo e publica nos mercados nacional e internacional. 
De Medos e Assombrações é um livro ótimo para quando se quer deixar a imaginação correr solta entre medos e mistérios!


ilustração do Procissão das Almas

25 novembro 2016

A Águia Que Não Queria Voar

Esta história foi escrita por James Aggrey, 1875-1927, missionário e pedagogo, nascido em Anomabu, uma cidade de Gana, África. Ele escreveu este texto numa época em que a África tinha todos seus países dominados por nações europeias e o negro era visto como raça inferior. Aggrey quis chamar atenção de seu povo para questionar e refletir sobre esta condição imposta, que não tinha nada de verdadeiro em seu teor.
O livro traz a história de uma águia, que criada desde filhote entre galinhas, como uma galinha, se recusa a abrir suas imensas asas e voar grandes alturas, como é característica de sua espécie. Uma ave nobre é transformada em galinha, que consegue apenas voos rasantes.
Incrível pensar nisto! Um ser de bela magnitude aprisionado em sua essência numa condição inferior. E se transferirmos esta narrativa para a vida humana encontraremos exatamente o mesmo. Quantos de nós com potencial imenso vivemos em quadrantes limitadores, fazendo sufocar a alma, tão carente de expansão e crescimento! Como queria Aggrey, podemos refletir e buscar meios para nos libertar de prisões internas armadas pelo externo opressor.
Leitura inspiradora e rica em conteúdo com ilustrações do fantástico Wolf Erlbruch, que escreveu e ilustrou o magnífico O Pato, a Morte e a Tulipa, exposto neste blog também.
A Águia Que Não Queria Voar é uma obra  importante para sua biblioteca! Acredite.



01 setembro 2016

A Criação do Mundo - Contos e Lendas Afro-brasileiros

 Escrever sobre este livro é tarefa muito agradável. Leitura em que não se sente o tempo passar. O autor nos leva para as cenas dos contos com facilidade e assim podemos ser capazes de circular por entre os personagens sem que nos percebam e viver todos os momentos da criação do mundo, através da mitologia dos orixás.
Adetutu, uma jovem africana, é capturada por caçadores de escravos e levada ao Brasil num navio negreiro. Durante árdua viagem sonha com a criação do mundo pelos orixás. Ela se transporta  e acompanha todos os momentos da criação. De cada orixá ganha um presente que os representa e guarda  em uma sacolinha que leva consigo.
Adetutu tem a honra de encontrar os deuses de seu povo, Oxalá, Xangô, Iemanjá, Iansã, Exu, Ogum, Oxóssi, Ossaim, Ibejis, Iroco, Nanã, Omulu, Oxumarê, Euá, Obá, Oxum, Logum Edé, Ifá, Odudua, Oxaguiã. Cada um com seus mitos, ritos e objetos sagrados.
O navio negreiro chega ao Brasil, na cidade de Salvador, Bahia. Adetutu, se torna Maria da Conceição e protagoniza, como iniciada nos rigores da religião africana, a ancoragem do Candomblé, em terras brasileiras.
O autor Reginaldo Prandi, professor da USP, escreveu muitos livros de sociologia e mitologia, entre eles,  Mitologia dos Orixás e Segredos Guardados, que é uma excelente sugestão para quem deseja se aprofundar no panteão africano. Também escreveu livros infantojuvenis abordando temas da mitologia africana. Joana Lira, ilustra o texto compondo a obra com primazia.
Também acompanha o livro um apêndice, que nos esclarece sobre os deuses da mitologia afro-brasileira.
Mais uma sugestão de leitura deixo aqui. Estou certa que lhe encantará!






23 julho 2016

Os Meninos Verdes

Certa vez, os netos da vovó Coralina lhe pediram para contar a estória dos Meninos Verdes. Vovó deixa claro que não é uma estória, e sim um acontecido e sigiloso! Conta, mas só para eles!Tudo acontece na Casa Velha da Ponte, mais precisamente, na horta. Seu Vicente, que sempre cuidou de todas as plantações, foi quem encontrou os Meninos Verdes, quando um dia viu duas plantas muito diferentes, que quis jogar fora, mas vovó Coralina não deixou e pediu que observasse o que aconteceria com elas. Depois de alguns dias seu Vicente mostrou, todo espantado, a natureza daquelas plantas. Vovó viu! Eram menininhos verdes, bem pequeninos, gelatinosos, com dentes pontudos e unhas como garras de passarinho. Sete ao todo, quatro menininhas e três menininhos. E assim ficaram na casa, sendo muito bem cuidados. Os menininhos cresciam vitalizados e aos poucos vovó Coralina foi se vendo em apuros, tamanha a esperteza dos pequeninos. E não é que o acontecido chegou ao conhecimento da Primeira Dama? E é claro, depois ao Presidente da República? E é claro, ao corpo científico nacional e é claro, internacional, depois? Bem, o que era sigiloso, se tornou um estudo muito curioso, pois afinal, quem eram os Meninos Verdes? Duendes? Gênios Verdes? Ou simplesmente Meninos Verdes?
Cora Coralina, chama este conto de estória, mas eu digo que é uma história, porque acredito que Meninos Verdes existem e se você tiver uma horta ou jardim, quem sabe pode tê-los bem perto de você!
O texto é de Cora Coralina e as ilustrações de Cláudia Scatamacchia. O livro é lindo demais. Um encanto, como tudo de Cora Coralina!
 
Ilustração
 

18 julho 2016

O Rei Mocho

O Rei Mocho (conto originário dos sena, etnia do centro de Moçambique) é o primeiro volume de uma coletânea de dez volumes intitulada Contos de Moçambique, resultado de um projeto de colaboração entre a Escola Portuguesa de Moçambique e a Fundació Contes pel Món, de Barcelona, Espanha. Em 2016 temos a primeira edição brasileira desta coletânea que começa com este inspirador conto, a nos mostrar um reino de pássaros ao ver sua harmonia modificada por uma intervenção vinda de uma dedução, que faz acreditar haver má fé na consagração de mocho como rei dos pássaros, empossado para defender e manter a segurança da comunidade por ter chifres, mas que de fato eram penas em forma de chifres. Aqui o questionamento se faz no sentido da intervenção ou seja, levanta a dúvida do quanto é benéfico intervir com julgamento numa situação que, de certa forma corre bem. Faz indagar até que ponto nosso conceito de verdade pode provocar danos, pois nem sempre o que imaginamos ser um dano, pode de fato ser, e quando interferimos baseados em nossa visão podemos causar um desequilíbrio, muitas vezes de difícil solução. Ungulani Ba Ka Khosa, nome tsonga ( grupo étnico do sul de Moçambique) de Francisco Esaú Cossa, que reconta este conto introduzindo a figura humana como elemento a causar o desequilíbrio no reino dos pássaros, mesmo não existindo na forma original, por perceber o Homem como responsável nos desequilíbrios no ambiente ao seu redor. Destaco as palavras do autor ao explicar seus sentimentos ao ler o conto O Rei Mocho, por considerá-las de grande importância na reflexão que esta obra pode causar: "...o que mais me afetou foi esse saber secular demonstrado na história de que o crime moral, étnico, é tão ou mais cruel como os outros crimes. E a reparação desses males, seguindo a moral da história, valem por uma vida inteira. É uma lição que os tempos modernos tendem a anular." E ao se referir à intervenção arbitrária, ele continua dizendo em outro trecho: "...Imaginemos que o mocho tinha certeza de que os tufos de penas que alcandoravam na cabeça eram chifres à dimensão da sua espécie, e que outros pássaros tinham deste fato consciência. Mas o homem, querendo impor a dita verdade, dita outras regras..." Para completar a magnitude deste livro, as ilustrações são realizadas com pinturas em técnica de batique, de colorido fantástico, pelo artista moçambicano Americo Mavale. Fica pra você esta indicação, que me causou grande admiração.
Ilustração



15 julho 2016

O Catador de Pensamentos

Você conhece o Sr. Rabuja? Se não conhece precisa conhecer! Ele é um homem já idoso que faz algo muito especial. É um catador de pensamentos. Acha estranho? Pode parecer, mas é admirável seu ofício. Toda manhã, sempre as seis e meia, Sr. Rabuja passa pelas ruas da cidade onde mora catando pensamentos. Ele pode ouví-los, estejam onde estiverem, e quando os percebe, através de um suave assobio os atrai para sua mochila. É assim o dia inteiro. Depois os leva para casa e lá os separa por letras. Sim, letras! Prateleira A para pensamentos amáveis, agressivos.... Na prateleira B ficam os pensamentos bobos, bondosos.... Na C organiza os corajosos, caóticos....e assim até Z. E o mais bonito de tudo isso é que logo depois que descansa, planta todos esses pensamentos em canteiros de seu jardim e bem cedinho, um pouco antes do Sol surgir, Sr. Rabuja acorda e corre para ver as lindas flores que brotam, de todas as cores e formas. Tudo é encantador até que estas flores se transformam em partículas que sobem pelo ar emanando suaves sons! Não é fantástico! E estes pedacinhos de flores/pensamento entram pelas frestas das casas enquanto as pessoas ainda dormem, se depositam em suas testas estimulando sonhos e novos pensamentos.
A ideia de Monika Feth em escrever este texto foi demais feliz. Ela nos leva para um mundo que muitas vezes não nos damos conta, mas que está o tempo todo em nós e a nossa volta: os pensamentos que criamos, que tem vida, muito mais do que podemos imaginar! E com as ilustrações de Antoni Boratynski, tudo se torna deslumbrante.
Este é um livro que me fascinou logo na primeira leitura e estou certa de que você também gostará, especialmente se aprecia temas profundos e multifacetados, expostos de maneira inteligente e sensível.

sr.  Rabuja chama os pensamentos

 

15 junho 2016

Dunas de Água


"As palavras se diluem no ar e Zohra mergulha num sono profundo. Sonha com o pai e outros tuaregues jogando as redes nas águas do mar. Depois, eles as recolhem cheias de peixes e estrelas. Guardam os peixes nas cestas e jogam as estrelas para o alto, uma por uma, e elas vão se pendurando no céu." Não é lindo o texto? É um pequeno trecho deste livro, que é encantador desde a primeira página até a última. A narrativa e as belas ilustrações compõem esta obra que fala de uma menina tuaregue chamada Zohra. Ela ajuda sua mãe nas tarefas, conhece bem o calor e a areia do deserto que constrói as dunas, imagem constante para a menina delicada, mas muito esforçada. Numa tarde, pela primeira vez, a menina toma chá com a mãe, os avós, sua amiga Tinedla e suas tias. Enquanto a avó conta uma história antiga quando o deserto era um imenso mar azul, onde o vento formava grandes dunas de água, Zhora no embalo das palavras adormece e sonha. O mar toma conta de sua mente e a menina, encantada, vê seu pai tornar-se um pescador em cenas de peixes e estrelas. Quando é acordada pela mãe, deseja conhecer o mar com o pai. Zhora vive entre dois mundos: o que conhece e o que deseja conhecer. Quando o pai volta com a caravana que foi buscar sal, traz para a filha uma linda concha. É através dela que a menina ouve o som do mar quando a aproxima do ouvido e deseja mais ainda vê-lo. Seu pai lhe promete que quando completar treze anos a levará consigo em caravana para conhecer o mar. E assim, ela espera chegar o dia de sentir a água salgada, ver as estrelas e os peixes que vivem em seu sonho. O texto é de Javier Sobrino, espanhol, nascido em 1960. Professor e escritor de educação infantil. As belas ilustrações são de Alfonso Ruano, também espanhol, nascido em 1949. Mergulhem no sonho de Zhora e se encantem com este poema em forma de livro.

31 maio 2016

O Violino Cigano (e outros contos de mulheres sábias)

Contos recontados por Regina Machado e ilustrados por Joubert. São um primor e todos nos trazem a inteligência feminina. Regina os escolheu fundamentada em certas qualidades que considera femininas, como escreve: "receptividade, eloquência, sensibilidade, paciência, fecundidade, espera, concavidade, leveza, maciez, umidade, calor e proteção." e continua descrevendo esse universo em: "lago e não rio, gruta e não planície, terra e não chuva, cheio de atalhos e não direto."
É uma coletânea de dezesseis contos de várias origens: árabe, tibetana, turquestana, irlandesa, armênia, caucasiana, brasileira, persa, indiana, cigana, chinesa e grega.
Não sei qual deles é o mais bonito! Posso dizer que todos tem uma lição que dará margem à reflexão e compreensão do ser mulher.
Fica aqui mais uma sugestão para quem deseja mergulhar no mundo dos contos, que são contados e recontados para nos despertar no mais íntimo do nosso ser!
 

24 maio 2016

Contos e Lendas da Europa Medieval

Livro que faz parte de uma magnífica coleção de quinze títulos sobre o universo dos contos e lendas (gregos, africanos, egípcios, brasileiros, árabes, vikings, Roma antiga, Hércules, jogos olímpicos, cidades e mundos desaparecidos e cavaleiros da Távola Redonda).
Com texto de Gilles Massardier e ilustrações de Arnauld Rouèche será possível transitar por entre dragões, cavaleiros, lobisomens, monges, contadores de histórias, princesas, fadas e é claro, o diabo, que não poderia faltar! O clima criado é fantástico, onde a imaginação e o sobrenatural abusam de seus poderes.
São onze contos muito interessantes e se você, como eu, gosta do imaginário medieval, vai adorar cada página! Tudo é descrito com muita propriedade por Gilles, um professor de história, que tem interesse pela literatura medieval desde criança, talvez por isso sua narrativa seja tão agradável e envolvente!
Fica aqui mais uma dica para enriquecer sua biblioteca pessoal.

31 outubro 2015

Tic Tic Tati

Estou para encontrar algo mais lindo que este CD, com textos de Tatiana Belinky, música de Hélio Ziskind e voz de Fortuna!
Sou capaz de ficar uma tarde inteira ouvindo e viajando com os textos e poemas musicados de Tatiana. Com a voz de Fortuna, forte e suave, e a genialidade de Hélio traduzindo os sons e ritmos das palavras de Tati ( como seus amigos a chamavam ) é de encantar qualquer um, crianças ou aqueles que já passaram dos 58 como eu!
É uma obra que levou 3 anos para ficar pronta, mas valeu! É linda, delicada, bem humorada, e inspiradora.
Com projeto gráfico de Suli Kabiljo, ilustrações de Suppa, fotos de Nilton Silva e Edi Figueiredo e músicos de primeira.
Você vai ouvir: "O Caso do Bolinho", "Boa Ação", "Meu Gatinho", "Não Chorei", "O Grande Rabanete", "Coro das Bruxas", "Cantiga Famélica", "Dez Sacizinhos", "Limeriques do Bipede Apaixonado" e "A Operação do Tio Onofre", poemas e textos de Tatiana Belinky. Também ouvirá na voz de Fortuna, "O Vira", de João Ricardo e Luhli e "Lindo Balão Azul" de Guilherme Arantes. Hélio Ziskind compõe as duas últimas faixas, "Tic Tati" e "Na Roda da Fortuna"( um bom trocadilho!)
O selo é SESC, por isso pode ser encontrado em qualquer unidade SESC.
Acreditem em mim, é imperdível!






29 outubro 2015

Caixinha de Risos e Rimas


"- Sabe o que é um esqueleto,
    Epaminondas Prudente?
 - Claro que eu sei, professor:
    São os ossos sem a gente."

Este é um dos poemas  de Cláudio Feldman, são 25 ao todo.
Rimas engraçadas para crianças e adultos se divertirem. As ilustrações de Perkins fazem composição com o bom humor dos textos.
Conheça a Caixinha de Risos e Rimas e encontre leveza ao brincar rimando.

Contato com o autor: claudiofeldman@uol.com.br
E se o cágado falasse?

Eu e Cláudio Feldman

06 setembro 2015

Chapeuzinho Amarelo


Este é um livro acima de tudo inteligente. Faz uma análise profunda e divertida a respeito do medo. A dupla Chico Buarque e Ziraldo, unem palavras e imagens e realizam uma obra incrível! No começo a menina tem medo de tudo, mas de tudo mesmo! De tanto pensar no medo acabou dando-lhe uma forma de lobo; e não é que ele aparece pra ela! E não é que ela o enfrenta! A partir deste momento o medo começa a diminuir, mesmo que o lobo tente assustá-la novamente, a menina resiste e assim, brincando com as palavras Chico Buarque vai mostrando o enfraquecimento do medo. O lobo vira bolo e Ziraldo, com sua maestria traduz em imagens o que Chico idealizou. No final bruxa vira xabru, dragão vira gãodra, coruja vira jacoru e assim por diante. Tudo se transforma! A inteligência na narrativa está no exemplo de superação de maneira bela e poética. A dupla Chico e Ziraldo é aqui impecável. É fantástico o texto e a expressividade da imagem.
Uma obra como esta é fundamentalmente inspiradora para crianças, pais e educadores. Imperdível!





12 março 2015

As Fabulosas Fábulas de Iauretê


Este é um livro maravilhoso pra quem gosta de papos profundos sobre a vida. A narrativa nos traz a história de uma onça, chamada Iauretê. É uma onça-rei e que por magia de Tupã, de noite vira gente e de dia bicho, uma onça pintada. A história é contada em várias histórias, que são as fábulas, de um jeito bem interessante. Tudo acontece numa sequência analógica, orgânica. As histórias/fábulas vão surgindo como se fossem tecidas ou formando uma bela trança. Cada uma tem começo meio e fim, parece  não ter relação uma com a outra, mas no final se percebe que formam uma sequência a contar uma história só, assim surgem  as aventuras da onça/gente, que se casa com uma bela indiazinha chamada Kamakuã. Desta união nascem Juruá, que tornou-se um excelente caçador e Iauretê-mirim, um grande canoeiro.
O livro tem inicio com a onça/gente caindo em uma armadilha e vendo-se prestes a morrer pelos caçadores, passa a ter lembranças de sua vida inteira e desta forma o leitor mergulha nestas lembranças e a história é tecida. Tudo é muito intenso, belo e de grande sabedoria. Transcrevo algumas frases, só pra lhe dar uma ideia da riqueza do conteúdo: "- Calma! - Ouviu o silêncio de Tupã dizer. - "Quando se está no buraco, a única coisa que não ajuda é o desespero."; "Quando você se contraria e faz coisas que não são da sua natureza, você deixa de se amar."; "Justiça não é fácil! "; Além disso, como tudo tem uma raiz, a verdadeira justiça busca a raiz de onde nasceu a injustiça." Não são belos e profundos estes trechos? Assim é  o livro inteiro!
Estas fábulas indígenas são trazidas por Kaká Werá Jecupé, índígena de origem tapuia, escritor, ambientalista, conferencista; fundador do Instituto Arapoty, organização voltada para a difusão dos valores sagrados e éticos da cultura indígena. As ilustrações são desenhos de sua filha Sawara, quando tinha 11 anos.
Este é um belo livro, indispensável para uma boa biblioteca.
Aceitem esta aventura e mergulhem na história de Iauretê, a onça/gente,  sua bela família, meio gente, meio onça e aprendam com a sábia cultura indígena.





13 fevereiro 2015

A Contagem dos Sacis

Quanto vale uma palavra? Quanto vale a sua palavra? Vale muito!
Existem acordos feitos através de contratos no papel, com assinatura e tudo, mas também existem acordos verbais, onde a palavra dada tem valor de contrato assinado. Até mais, pois o que está em questão é a confiança, que quando ferida nem sempre pode ser recuperada.
Este é o tema principal deste livro escrito por Monteiro Lobato, que com sua narrativa simples e agradável traz para o leitor a reflexão sobre o valor da palavra, que no caso é de um saci.
Tudo se passa numa festa anual, onde os sacis se encontram e o chefe do bando faz a contagem para ver se não falta nenhum e por isso Pedrinho concorda em soltar um saci da garrafa, para participar da contagem. No final, Monteiro Lobato dá sua lição ética através da atitude do saci, que não vou contar para não estragar a surpresa!
Esta edição leva a ilustração de Gonzalo Cárcamo, que através de sua linda aquarela enriquece primorosamente o livro.



29 janeiro 2015

One Love


"É fácil e verdadeiro, mas parece a coisa mais difícil de se fazer. Desde o início humilde na Jamaica,  o que meus pais incutiram em nós sempre foi, e ainda é, o amor." É o que diz Cedella Marley, filha mais velha de Bob Marley. Ela escreve o livro, que na verdade é a transcrição da canção, One Love.
Um livro poético e terno, pois o tema principal é o amor entre as pessoas e a natureza. O amor está em tudo e a proposta é fazê-lo acontecer na harmonia das relações.
As belas ilustrações de Vanessa Brantley-Newton tornam a composição perfeita.



 Ouça também a canção e entre no clima da alegria e amor de Bob Marley





15 junho 2014

"Te Conto o que me Contaram: Contos da América Latina"

Alunos do ensino fundamental da Escola Villare de São Caetano do Sul, estiveram na Biblioteca Municipal Paul Harris, para o lançamento do livro "Te conto o que me contaram: contos da América Latina", no sábado, dia 14 de Junho. Esta é uma produção literária realizada pelos terceiros anos, A, B, C, D e E sob orientação das professoras Luize, Silvia, Juliana, Élita e Gisele, respectivamente, com participação das professoras de arte Natália e Lígia e da coordenadora pedagógica Helena Verderamis Sellani, junto com a vice-diretora Ligia Colonhesi Berenguel.
 
Entrada da Biblioteca Paul Harris com a exposição de arte dos alunos.


Exposição dos trabalhos de arte com o tema América Latina.


Ana Maria Guimarães Rocha, diretora da Biblioteca Paul Harris


Alunos no jogral contando "A Raposa e os Peixes"

Alunos e seus pais no momento dos autógrafos.


Ligia Colonhesi Berenguel, Ala Voloshyn, Ana Maria Guimarães Rocha e Helena Verderamis Sellani
 
Em 2013, tive a grata satisfação de realizar uma contação de história com os terceiros anos do ensino fundamental da época, da Escola Villare, na Biblioteca Paul Harris, em São Caetano do Sul, com os livros "Pimenta do Reino" de minha autoria e o "Espirro do Vulcão" de Tatiana Belinky, e por isso agora fui convidada a participar deste lindo evento.
As crianças estavam lá para apresentação de jograis e autógrafos, com a presença amorosa de seus pais. Eu e Ana Maria Guimarães Rocha, diretora da Biblioteca, pudemos falar o que nos passava pelo coração diante de tanta alegria, por um trabalho concluído com esforço e dedicação de todos os envolvidos.
Diante de tanto estímulo é impossível não se perguntar o que torna alguém um escritor? No meu entender, o fundamental, é a vontade de compartilhar suas ideias e tocar outros seres humanos. Como seu leitor o entenderá, já não é de sua alçada, pois a liberdade de reflexão não deve ser impedida. O escritor lança sementes de ideias ao vento, que em solos férteis germinarão outras ideias e assim é interminável seu ofício de tocar, de contribuir. Não é tarefa simples escrever, tem sua responsabilidade e é árdua quando existe o desejo de ser compreendido, mas apaixonante pelo seu poder de multiplicação.
Olhando aquelas crianças com brilho nos olhos, percebi o quanto gosto do ambiente de uma biblioteca, livros, troca de ideias, leitores e escritores. Deus, eu adoro isto! E percebo, que precisamos da experiência para termos consciência do que nos faz gosto, do que nos toca a alma e assim fica claro para mim como é importante para estas crianças escrever um livro e saber o que isto significa para elas.
Crianças, minhas queridas crianças, pequenos escritores, o que lhes poderia dizer bem do fundo do meu coração? Muitas coisas passam pela minha cabeça, mas tenho que escolher o que me parece mais importante, então lhes digo, sejam verdadeiras, sejam fiéis aos seus melhores propósitos, trabalhem insistentemente em suas criações, sejam elas de que natureza for, e conseguirão manifestar o que lhes vai na alma e crescerão por isso. Saberão desta forma, contribuir para que outros também se aperfeiçoem. Benditos seus pais que os apoiam, pois esta atitude lhes dá aconchego e forças para prosseguir. Encontrarão obstáculos, mas não esmoreçam, pois esta vida é plena de contrastastes e isto não é ruim, mas nos estimula a melhorar.
Pais, o que lhes poderia dizer? Continuem próximos aos seus filhos e jamais esqueçam que leitores surgem do gosto pelos livros, mas gostar não basta, é preciso desenvolver o hábito de ler e um hábito se instala pela repetição, por isso a leitura precisa ser estimulada primeiro no lar para que tenha continuidade na escola. Somente juntos conseguiremos educar estas crianças de potencial grande e belo.
Parabéns à Escola Villare e sua equipe de educadores! Parabéns às crianças! Parabéns aos pais! Parabéns à Biblioteca Paul Harris! E que venham outros livros assim como o "Te conto o que me contaram: Contos da América Latina"! Que assim seja!
 
 


13 novembro 2013

O Capitão e a Sereia

Confesso! Escolhi o livro pela ilustração! Depois, ao ler o texto, me convenci de que fiz a escolha certa.
André Neves é o responsável por tanta beleza e sensibilidade, ele escreve e dá forma às palavras através de um estilo exótico de imagens.
Conta-nos a história de um contador de histórias, que desperta encantamento e felicidade por onde passa. Não está só, tem uma trupe de mambembes que o acompanha e o ajuda a espalhar imaginação e poesia tocando a todos os que querem ouvir suas histórias, não importando aqui quantos ouvidos são, contanto que possa realizar o que mais ama fazer, contar histórias.
Neste texto fica claro o quanto a vida interior do contador de histórias se exterioriza e dá sentido a tudo o que é mostrado, pois só é possível tocar o coração do outro quando se faz vibrar o próprio coração, assim nos ensina André, através de seu personagem, Marinho, o contador de histórias!



Fonte da Ilustração: Google/imagens

11 outubro 2013

Os Sinos

Poema de Manuel Bandeira com aquarela de Gonzalo Cárcamo, não existe combinação mais bela!
Os sinos, com sua sonoridade nos remetem ao silêncio interno, nos imobilizam, são sempre um anuncio. Pode ser de alegria ou de dor, mas isto os sinos não escolhem, apenas sinalizam.

 "Sino de Belém, como soa bem!
  Sino de Belém bate bem-bem-bem."


Lindo Manuel que Carcamo soube revelar tão bem!

                                                        "Sino da Paixão - pela minha mãe!
                                                          Sino da paixão - pela minha irmã!
                                                          Sino do Bonfim, que vai ser de mim?"

Neste livro podemos ver a palavra e a imagem andando juntas como boas irmãs, que se completam e revelam uma beleza que precisamos para encantar nossa alma. 


Ilustração: Google

O Pato, a morte e a tulipa

Wolf Erlbruch escreve e ilustra este livro. Ele nos mostra sua visão sobre a morte de um jeito tão poético que é capaz de nos levar ao encantamento. Não se pode dizer que é um tema fácil, pois a morte é um enigma para a maioria de nós, mas Wolf Erlbruch, com sua serenidade, revela o quanto ela faz parte da vida e como aos poucos vamos aceitando que um dia acontecerá. Sua ilustração é tão singela que até me afeiçoei à morte, assim como o pato, que aos poucos vai construindo uma relação de afeto e intimidade com ela.
Tudo caminha com leveza e sensibilidade neste texto e penso que pode ser um valioso elemento para conversas francas a respeito da nossa amiga, a morte.
"- Ainda bem que você finalmente percebeu - disse a morte - Eu sou a morte."
"- Estou com frio - disse o pato uma noite. - Você não quer me esquentar um pouco?"














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