Projeto Independente

Acredito em fadas, gnomos, gênios, sacis, reinos encantados, mundos paralelos e na responsabilidade da palavra.
Por reconhecer o poder que ela exerce sobre nós, tenho como critério a qualidade do conteúdo na escolha dos livros que recomendo. Realizo uma curadoria de Literatura Infantil, busco material que possa contribuir para o aprimoramento humano.
Desde 2010 faço um trabalho de garimpo, recolhendo "pedras preciosas" que identifico com meu olhar atento.
Por ser um projeto independente, não mantenho vínculo de divulgação com editoras, livrarias ou escritores. Os livros compartilhados são adquiridos por mim e fazem parte do meu acervo particular.
Sejam bem-vindos!

31 março 2022

Vida Para o Pimenta do Reino

Elisangela e eu num encontro feliz
Pimenta do Reino nasceu de uma experiência, quando participava de vivências teatrais. Foram dois anos de intensas atividades, que me auxiliaram no desenvolvimento criativo. Na escrita percebi mais liberdade na expressão, o que me animou muito a continuar compartilhando minhas ideias. Nunca tive a pretensão de me tornar escritora, apenas queria me comunicar.
Numa das aulas o professor pediu que escrevessemos a respeito do que estávamos vivendo no grupo e minha ideia foi criar um conto que descrevesse minha percepção sobre nosso relacionamento. Associei cada pessoa a um animal, e assim surgiu a rainha gata, sua amiga raposa, o macaco, o cão, o coelho, o colibri, o pavão e duas corujas brancas. 
Logo depois o que era uma lição de casa se transformou num livro voltado ao público infantil e desde sua edição, em 2008 até hoje, ele me acompanha em contações de histórias e eventos literários.
Em 2021 participei de várias ações literárias nos parques e rua, pela Secretaria de Cultura de São Caetano do Sul e foi assim que conheci Elisangela do Tulip Criativa, que também participava dos eventos com suas contações de histórias musicadas, com recursos de eva, que representam os personagens das narrativas. Tudo muito colorido e alegre, num dinamismo que convida as crianças a participarem da exibição.
E agora, Elisangela mostrou sua vontade de dar vida ao Pimenta do Reino numa exibição. E adivinha como me senti quando soube? Feliz da vida!
Ter uma ideia, transformá-la numa história e ver toda sua criação sendo interpretada por outra pessoa é extremamente gratificante. O que mais desejo ao escrever é tocar os leitores, estimula-los a refletir, se identificar, voltar-se pra dentro de si, se conhecer um pouco mais. E quando alguém acredita nessa história e quer lhe dar vida com a sua marca, é ver a continuidade da concepção. E assim, eu verei todos os personagens sendo vivificados pelo olhar de Elisangela. Isso é mágico, é arte, é vida!  
Imagine que a ideia que surgiu, depositou-se na mente, foi impulsionada pela emoção e passou a existir. É assim quando escrevemos. O processo criativo é uma gestação que traz algo à luz, para unir um ser humano ao outro, formar pontes, despertar o que há lá dentro de nós, gerar comunicação. E assim cada um que toca uma história a leva adiante como numa corrida de bastão. Isso é vida a fluir.
Dia 3 de Abril, no Bosque do Povo, às 11h00,  na Estrada das Lágrimas, 320, em São Caetano do Sul,  Tulip trará para todos nós o livro Pimenta do Reino, contado e cantado!

14 março 2022

O Olhar Passeia


O olhar passeia por palavras e imagens, que se entrelaçam com suas cores e formas.
Poemas não são óbvios. São pensamentos e sentimentos que nos espelham e nos levam pra dentro de nós.
Nínguém é óbvio, a não ser que queira!
Quanto mais jovem um olhar, maior pode ser sua condição de compreensão do sentir. São poucos os impecílhos, são poucos os vícios no olhar!
Uma criança sabe bem identificar seus sentimentos e Ana Maria Machado acredita nisso e nos traz um livro rico em poesia.
Claudia Furnari completa com imagens, que  dialogam com as palavras.
Trago mais uma sugestão. Mais um livro que vale muito conhecer, para sensibilizar e abrir portas aos diálogos, que se iniciam dentro de cada um.
Assim: "Do corpo à alma o olhar passeia além do rosto.  Aprende a força que prende o oposto.  Pressente a calma da baixa-mar guardando o impulso de arrebentar."





03 março 2022

Uma Luz Inesperada

"Era tudo branco refulgente onde a lua dava e negro espesso nas sombras. E eu que só tinha doze anos, como já ficou dito, adivinhei que nunca mais veria outra lua assim. Por isso é que hoje me comovem pouco os luares: tenho um dentro de mim que nada pode vencer." 
Este é Saramago! Um poeta, um filósofo, um escritor capaz de transformar uma simples história de um menino de doze anos, que vai à feira de Santarém com seu tio para vender alguns porcos, numa belíssima narrativa poética.
Ele descreve cenas e ao mesmo tempo demostra com maestria a força de uma experiência quando vivida integralmente, com a presença plena de quem experimenta o mundo que acontece dentro e fora de si.
Eu me encantei com este livro desde que o vi pela primeira vez na livraria. Tudo nele é belo e profundo, desde as palavras até às ilustrações, que trazem um misto de técnicas a descrever com delicadeza e elegância o escrito, página por página. 
Vejo o ilustrador como um coautor e aqui é Armando Fonseca, que nasceu em 1968 na cidade do México e tem livros publicados e premiados em muitos países. 
José Saramago, já não está mais conosco. Saiu deste mundo em 2010. Nasceu em Portugal em 1922 e deixou para a humanidade um belo legado!
Livro imperdível!






27 janeiro 2022

Lembranças de Aninha

 

Ana Lins dos Guimarães Peixoto Bretas é nossa Cora Coralina. Ela nasceu em 1889 em Villa Boa de Goyaz, hoje Goiás, e viveu até 1985.
Escrevia desde mocinha, mas seu primeiro livro foi publicado em 1965, quando estava com 76 anos.
Em prosa e poesia ela nos mostra seu olhar observador para tudo que a cercava, sem nunca deixar de revelar seus sentimentos, alguns alegres e outros dolorosos. Cora é intensa,  profunda e delicada na sua escrita e não podia faltar para o público infantil.
Este livro se faz com doze textos que nos remetam à sua infância. Temos aqui Cora menina, sensível, a se destacar num meio que nem sempre a compreendia.
Aqui estão Bem-te-vi...Bem-te-vi; A menina, as Formigas e o Boi ( meu preferido, pois mostra a menina em que já se esboçava o espírito de uma escritora, pela sua forte imaginação, grande potencial criativo, poder de observação e sensibilidade ); "Ô de Casa!"; Sequências; Dona Otília; Os Gatos da Minha Cidade; O Mandrião; Imaginários de Aninha (A Roda); Antiguidades; A Fala de Aninha ( É Abril...); Lembranças de Aninha (Os Urubus); O Boi de Guia.
São textos muito agradáveis de ler, que nos levam pra onde Cora coralina quer. Ela nos envolve e nos guia por uma infância com amigos imaginários, medos, brincadeiras, num ambiente familiar de tradições dos tempos idos.
A narrativa é embelezada pelas ilustrações de Eva Furnari, que também assina o projeto gráfico do livro. 
Furnari é designer gráfica e ilustradora. Nasceu em São Paulo em 1976. E sobre o processo de lustração deste livro ela relata: "A  partir de elementos muito concretos, as Lembranças de Anina me levaram a lugares de extrema subjetividade."
Mais um livro recomendo de encantamento, de uma mulher que escrevia em meio a uma vida árdua e também poética, que soube direcionar para onde quis o seu viver. Deixa um belo legado, que não se pode esquecer.


12 janeiro 2022

O Horário

Conheci Sophie durante um Sarauzinho, que eu mediava no Literatura no Parque, evento realizado pela Secretaria de Cultura de São Caetano do Sul, no dia 21 de novembro de 2021. Ela estava com Lorena, sua amiga, e eu fiquei bastante impressionada com as meninas. Muito desenvoltas e amantes da leitura! Naquele dia fiquei sabendo pela Sophie que em Dezembro estaria lançando seu livro, fruto de atividade pedagógica realizada em sua escola, o SESI 222, de São Caetano do Sul, junto ao Estante Mágica. Claro, que eu disse que iria ao lançamento!
Dito e feito! No dia 17 de dezembro estava eu com Nelson Albuquerque Jr, coordenador de literatura da Secretaria de Cultura de São Caetano do Sul, para o lançamento, que se deu junto a outras crianças, que também estavam lançando seus livros.
Este foi um trabalho realizado com alunos do terceiro ano do ensino fundamental, quando leem e escrevem pequenos textos. Conversei com Dasllan Bellini Araujo, professora de Sophie, que orientou este trabalho junto aos seus alunos. Ela me disse que o SESI é uma empresa sociointeracionista ou seja, o aluno aprende nas relações sociais e isso se deu quando as crianças trocaram ideias antes de escrever. As interações foram intensas durante o processo de criação, num trabalho que solicitou empenho e dedicação, com revisões de texto, aperfeiçoamento nas narrativas, enfim, um processo completo até se chegar à edição do livro.
"O Horário" é o livro de Sophie Caran Rodrigues, uma linda menina, que nasceu em São Paulo, no dia 24 de setembro de 2012. Ela é atenta, articulada e proativa, isso eu vi! Sei que tem uma família interessada em literatura, que a estimulou desde cedo a interagir com os livros. Ainda pequenina, ouvia muitas histórias contadas por seus pais, Milene e Celso, que lhe mostraram a beleza das letras.
Este livro fala de uma menina que se muda e conhece um menino chamado Bruno. Tornam-se grandes amigos e por isso brincam juntos todos os dias. Num destes dias, a menina perde o horário, que havia combinado com sua mãe, para voltar para casa, mas seu amiguinho a lembra  e ela volta correndo, pois tinha que cumprir o combinado.
Esta é uma narrativa que nos mostra a importância do afeto, da confiança, e da palavra acordada. Tem ilustrações que são desenhos feitos por Sophie, o que gosto muito! Aprecio o desenho infantil a enriquecer o texto. Tudo é muito sincero e singelo.
Muito interessante este processo de criação literária para crianças que se iniciam na leitura e escrita. Isto dá à criança a possibilidade de compreender melhor todo processo de escrita literária. Isto pode despertar seu interesse pela leitura e sua expressão através da escrita. Aqui não se sabe se isto será um impulso para a formação de um futuro escritor, o que não é o mais importante agora. A meu ver o que mais importa é o estímulo para a organização e expressão de ideias e sua partilha, uma experiência sobre a responsabilidade de escrever e captar ideias, transformando-as em estímulos para quem as recebe. Para mim, ser um escritor é mais que um ofício, é uma forma de ser, onde há um olhar atento para dentro de si e para fora, numa ânsia de compreensão do viver, com a generosidade no desejo de compartilhar o que foi captado.
Para quem deseja este livro deverá acessar o site lojinha.estantemagica.com.br com o Passe Mágico APL6MUE e assim poderá receber seu exemplar pelo Correio.
Fica aqui mais uma dica, mais um estímulo para se aproximar do que se tem de belo nesse mundo, a arte, a criança e o amor.

  
Dedicatória de Sophie para mim
Ilustração feita por Sophie


Hora dos autógrafos
Eu e Sophie




Eu, Sophie e Nelson Albuquerque Jr


Sophie com sua família, eu e Nelson


Eu e Sophie lendo no Sarauzinho, com sua amiga Lorena

Minha dedicatória!




09 setembro 2021

Quando os Pais se Separam - uma terapia para a criança

Quando acontece o inevitável divórcio, todas as pessoas envolvidas se veem numa situação difícil. O casal e os filhos experimentam sentimentos, muitas vezes antagônicos. A insegurança e a tristeza não faltam para serem administradas. Os adultos, tem a responsabilidade de conduzir da melhor forma possível os fatos, preservar e proteger a integridade dos filhos. As crianças precisam de espaço para manifestarem seus sentimentos e conflitos internos. Receber atenção, para poderem viver todo o processo, com o amparo necessário.
Este livro tem a finalidade de servir de estímulo  para que conversas à respeito dos sentimentos infantis possam acontecer, pois aqui a escuta atenta e o acolhimento são fundamentais para a superação da transição.
No entanto, nem sempre os pais se percebem seguros para estes diálogos, pois também estão num processo difícil. Sendo assim, ter um suporte de orientação, para que haja melhor condução das  vivências, pode ser de grande benefício.
Os temas aqui pontuados falam das mudanças que ocorrem; do sentimento de culpa que alguns filhos podem desenvolver, acreditando que causaram a separação; do amor permanente dos pais pelos filhos; da variedade de sentimentos que afloram; da importância da expressão dos sentimentos; do valor das conversas com pessoas de confiança sobre o que acontece; da tristeza que os pais também sentem; do desejo dos filhos de que os pais se reconciliem; dos benefícios de se conversar com os amiguinhos sobre sua situação; de viver em duas casas diferentes; da dificuldade de estar entre duas pessoas que estão em conflito; da preocupação que as crianças podem apresentar em relação aos sentimentos dos pais separados; do relacionamento de novos parceiros dos pais;  a certeza de que tudo pode melhorar, se houver esforço e dedicação neste sentido.
As ilustrações são belas e afetivas, onde os personagens são simpáticos duendes, levando o leitor para um ambiente aconchegante, o que facilita a interação com o tema.
A autora do texto é Emily Menendez-Aponte, bacharel em Psicologia e mestra em serviço social, com experiência no aconselhamento de famílias e crianças por 10 anos.
O autor das imagens é R. W. Alley, que além de ser ilustrador, também é autor de livros infantis.
Este livro faz parte da coleção TERAPIA INFANTIL, que contém cerca de 43 títulos. Vale a pena conferir!


27 agosto 2021

Ifá, o Adivinho

 

Reginaldo Prandi, nos traz neste livro histórias dos deuses africanos, que vieram para o Brasil com os escravos.
Conta ele, que vivia num povoado africano um adivinho chamado Ifá. Ele lia a sorte das pessoas, através de dezesseis búzios mágicos numa peneira.
Ifá ensinava as pessoas como resolver suas dificuldades, mas o que mais gostava era ajudar seus consulentes a se defender da morte. Quando ela estava por perto, Ifá avisava e ensinava como mandar a morte embora.
Com o tempo, a morte foi se irritando com Ifá, que vivia atrapalhando-a e passou a persegui-lo. Se ela conseguisse acabar com o adivinho, as pessoas ficariam à sua mercê. Por isso Ifá recebeu ajuda para escapar da temida morte. 
Nesta narrativa encontramos Euá, Oxossi, Ogum, Xangô, Oxum, Exu, Oxalá, entre outros.
Existe aqui rico conteúdo sobre os personagens míticos africanos, pois Prandi, como sociólogo, professor de sociologia, grande estudioso e pesquisador sobre sociedade, cultura brasileira e mitologia afro-brasileira, tem plenas condições de pulverizar este conhecimento com maestria.
Ele trata toda a narrativa com leveza e humor, o que possibilita ao leitor se aproximar deste tema ainda temido pela maioria das pessoas, que é a morte.
Pedro Rafael, que é artista plástico, restaurador e ilustrador, traz à obra muita beleza através de sua arte.
No final do livro podemos nos familiarizar com os orixás cultuados pelo povo africano chamado iorubá, através de uma generosa lista com sua descrição. Além disso, Prandi também conta como os negros africanos trouxeram para o Brasil seus deuses, e refizeram sua religião.
Como sempre, Reginaldo Prandi traz conteúdo riquíssimo para quem quer mergulhar neste universo tão belo e profundo, que é o culto aos orixás.





22 julho 2021

Minha Querida Assombração


Paulo, um sociólogo, que trabalha num instituto de pesquisa, tira férias e leva seus quatro filhos para passarem uma semana numa fazenda antiga do interior. 
Como ele havia enviuvado cedo, era um pai dedicado e sabia que para as crianças seria uma aventura estar numa fazenda antiga preservada como era nos velhos tempos.
Lá eles viveram momentos muito agradáveis, sem que lhes faltassem histórias de suspense, mistérios da tradição caipira contadas por dona Santa, a proprietária da fazenda e anfitriã. Paulo e as crianças ouviam as histórias sempre antes de irem para cama, cada noite era uma história diferente, mas todas de meter medo, principalmente de assombração.   
O autor, Reginaldo Prandi, é paulista de Potirendaba, professor de sociologia na Universidade de São Paulo e escritor. Tem vários livros publicados, como Mitologia dos Orixás, Jogo de Escolhas, Os Príncipes do Destino, entre outros. 
Prandi, quando era criança ouvia histórias contadas  pela sua avó paterna, e sua tia-avó Rosa. Eram eximias contadoras de histórias de meter medo!
O autor diz que as histórias deste livro eram muito conhecidas no interior de São Paulo e em muitas outras partes do Brasil. Algumas também foram registradas em Portugal, Itália, Espanha e outros países com que compartilhamos nossas tradições. Para quem se interessa pela cultura caipira paulista, ele sugere o livro Conversas ao Pé do Fogo, de Cornélio Pires, publicado em São Paulo, pela Editora Piratininga, em 1921.
Neste livro, Reginaldo Prandi, reuniu histórias que fazem parte do patrimônio cultural da região onde nasceu. Ele defende a ideia de que "quem não prova do medo não aprende a arte da coragem". E penso que ele tem razão, para fortalecermos nossa coragem, aprender a enfrentar o medo, pode ser um meio bastante eficaz. Só um cuidado deve ser tomado: o de não se deixar dominar pelo medo, quando enaltecido pela imaginação.
Gosto da abordagem de Prandi, sua narrativa é bastante agradável e bem estruturada e sempre faz comentários muito ricos, pois, sendo sociólogo, faz análises muito interessantes sobre o tema que escreve, dando margem a uma compreensão maior do enredo e suas causas, onde neste livro, se fazem através do personagem Paulo, que por exemplo, num determinado trecho da história A Noiva da Figueira diz; "... as histórias que o povo conta, mesmo as que falam de assombração, costumam aprovar ou criticar certos comportamentos e modos de pensar."
As ilustrações são de Rodrigo Rosa, que nasceu em Porto Alegre. Formado em jornalismo pela PUC/RS, é designer gráfico, ilustrador e cartunista. Fez ilustrações para publicidade, recebeu diversos prêmios em salão de humor nacionais e internacionais.
Este é um livro bastante rico na tradição caipira, com histórias de medo, suspense, mistério e que tem um desfecho surpreendente. Imperdível!


13 maio 2021

Omo-Oba, histórias de princesas


Omo-Oba traz histórias de princesas, contadas e recontadas pelo povo iorubano, e afro-brasileiro. 
Kiusam, autora do texto, diz que "todas as histórias antigas, quando infinitamente recontadas, podem ser interpretadas de diferentes formas, porque, ao recontá-las, cada pessoa reforça o conhecimento de que mais necessita" e neste livro ela reforça características, que acredita, possam incentivar meninas de todos os tempos a se conscientizarem de seus potenciais.
Encontramos aqui as histórias míticas de seis princesas. Oiá, que tinha como atributos a beleza, a graça, a rapidez, a genialidade, determinação, espírito guerreiro e um conhecimento que ninguém mais possuía: era capaz de se transformar em animais, dentre eles, o búfalo, aquele que ela mais gostava. Oxum, que trazia os atributos da beleza, vaidade, atrevimento, determinação também e maternidade. Iemanjá, a Rainha do Mar, exibia beleza, a maternidade, tranquilidade, equilíbrio e determinação. Olocum, menina linda, porém triste e misteriosa, tinha atributos como a introspecção, a contemplação, a timidez, a quietude e era anfíbia! Ajé Xalugá, a irmã caçula de Iemanjá, era igualmente bela, vaidosa, impetuosa, curiosa, orgulhosa, determinada, corajosa, princesa de muito poder. Oduduá, guerreira determinada, rápida, que saia em busca de tudo o que desejava.
Todas as princesas que trazem suas histórias são modelos femininos de beleza, determinação, inteligência, coragem, com potencialidades únicas, que as tornavam poderosas, por realizarem a natureza que lhes competia e caracterizava. Penso que esta fidelidade aos seus talentos e identidade as tornam modelos femininos de referência.
Quem escreve é Kiusam de Oliveira, paulista de Santo André. Tem Doutorado em Educação pela Universidade de São Paulo. É bailarina, contadora de histórias e escritora engajada na valorização da autoimagem negra e da mulher na sociedade. É defensora da vida plena na diversidade. 
As belas ilustrações são autoria de Josias Marinho, desenhista e arte-educador, formado pela Escola de Belas Artes da Universidade Federal de Minas Gerais. Nasceu no Estado de  Rondônia, em uma pequena cidade à margem do Rio Guaporé, chamada Real Forte Príncipe da Beira.





com Kiusam 


















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com Kiusam e Leni Sousa




29 abril 2021

Além do Que se Vê


Além do que se vê? Sim! Esta é a proposta de Sami Ribeiro.
Ele traz seu primeiro livro autoral, com entusiasmo e delicadeza, características muito claras em seu trabalho como ilustrador e designer.
Neste livro, o leitor é convidado a "não olhar com olhos acostumados", como diz Sami. E isto quer dizer que, desde muito cedo somos incentivados a olhar para o que nos cerca através de padrões, com os quais nos acostumamos e sem perceber, vamos perdendo a sensibilidade de enxergar com profundidade e amplidão ou seja, com aquele olhar contemplativo, que busca conhecer com proximidade e liberdade, pronto para assimilar o que perceber e assim alimentar a imaginação e ler o que o olhar alcançar, com a vivacidade de quem olha para ver a multifacetada manifestação de vida. Coisa de poeta! Sim, porque o olhar contemplativo é base fundamental para criação poética, sabia?
Sami escreve o texto e esbanja talento utilizando desenho com lápis de cor,  recorte,  colagem e  intervenção de objetos, onde biscoito se torna roda de caminhão, banana, vira canoa de índio, macarrão, é uma gravata borboleta, alho, não é mais alho, mas peixinhos aos montes, botão super cor de rosa, que agora é o nariz de uma linda porquinha, cor de rosa também, é claro! E assim por diante, a imaginação corre solta a ver formas, treinando o olhar que não se acostuma ao que se diz como é, mas que brinca a buscar o que pode ser, olhando pra vida de uma forma poética e bela.
Sami Ribeiro é Designer e Ilustrador freelancer. Depois de terminar o Magistério e Desenho Industrial, começou  a desenhar em livros e até hoje registra seus traços com sensibilidade e harmonia.
As composições de imagem criadas por Sami foram fotografadas por Elder Junior e o resultado você pode ver aqui no Além do Que Se Vê!





18 março 2021

Coragem Para Seguir Em Frente

Lama Michel Rinpoche nasceu em São Paulo em 1981. Aos cinco anos conheceu seu mestre Lama Gangchen Rinpoche e devido a sua clara conexão com o budismo, recebeu de Lama Gangchen o nome tibetano Jangchub Chopel Lobsang Nyentrag, que significa Mente Ilustre que Difunde o Dharma com Sucesso.
Anos depois, viajou por lugares sagrados no Tibete, Índia, Nepal e Indonésia. Foi reconhecido como detentor de uma linhagem de mestres tibetanos.
Aos 12 anos, por decisão própria, tornou-se monge e passou a viver no Monastério de Sera Me, no sul da Índia, uma universidade monástica dedicada a estudos da Filosofia Budista Tibetana. 
Hoje vive na Itália, assumindo responsabilidades espirituais e administrativas na Lama Gangchen World Peace. Foundation. Seu mestre Lama Gangchen faleceu em 2020.
Desenvolve palestras, ensinamentos e orienta atividades espirituais de inúmeros centros e grupos de estudos budistas no Brasil e Europa, como o Centro de Dharma da Paz e o Vida de Clara Luz em São Paulo.
Seus ensinamentos e sua presença são uma grande contribuição para o desenvolvimento de uma cultura de paz.
Este livro é a transcrição de sua palestra sobre como cultivar a coragem para seguir em frente, realizada em junho de 2006, e a compilação de poemas escritos quando tinha 15 anos. Todo este material é altamente inspirador para o leitor ter clareza e determinação para mobilizar recursos internos diante de situações desafiadoras. 
A coragem é gerada quando reconhecemos o quanto algo é importante para tornar nossa vida significativa.
Por maiores que sejam as interferências externas, ainda não são suficientes para desviar-nos do caminho de aprimoramento interno.
Creio que este livro pode ser um bom incentivo para jovens a seguirem em frente, inspirando-se em um jovem Lama.
Termino com trecho de um dos poemas de Lama Michel, que ilustram bem a essência do livro.

"Procurei e revirei
 todo o mundo de tocar.
 Procurei e revirei 
 todo mundo de pensar.

 E cheguei à conclusão
 que é impossível encontrar
 algo belo como a mente
 que conseguiu se libertar."

No livro uma foto de Lama Michel aos 13 anos



No livro uma foto de Lama Gangchen Rinpoche




04 março 2021

Lina - Aventuras de uma arquiteta -

Este é um livro fantástico! Conta a história de Lina Bo Bardi um dos maiores nomes da arquitetura mundial, que uniu arquitetura, política e cultura popular. Uma idealista que rompia com o tradicionalismo, transpondo barreiras entre o erudito e o popular. Dizia: "Vejo a cultura como convívio, comer, sentar, falar, andar, ficar sentado tomando um pouquinho de sol. Arquitetura não é somente uma utopia, mas é um meio para alcançar certos resultados coletivos." Lina tinha uma abordagem poética no seu fazer e ao se referir ao Brasil declarava sua total integração. Ela nasceu em 1914 em Roma, mas foi no Brasil que fez acontecer sua obra arquitetônica. Declarava: "Existem belas almas e almas menos belas. Em geral as primeiras realizam pouco, as outras realizam mais. Existem sociedades abertas e sociedades fechadas. A América é uma sociedade aberta, com prados floridos e o vento que limpa e ajuda. Assim numa cidade entulhada e ofendida, pode de repente surgir uma lasca de luz no sopro do vento." 

Ángela León, que escreveu e ilustrou, a bela história de Achillina Bo, que se tornaria Lina Bo Bardi, de forma bela e detalhada, mostrando o trajeto de uma mulher que não esmorecia diante de obstáculos, mas que insistia em realizar seus ideais através de seu trabalho, com uma flexibilidade e adaptabilidade a servir de referência. Ángela conta aqui o desenvolver da vida de Lina, que realizou projetos muito significativos para a coletividade, como o Masp, Sesc Pompéia, Teatro Oficina, Casa de Vidro, Museu de Arte Moderna da Bahia, o MAM-BA, entre outros. 

Esta é uma obra que recomendo com ênfase. Foi uma grande satisfação encontrá-la numa livraria onde procurava por um autor específico, mas que quando vi este livro não tive dúvida que me encantaria e poderia encantar outras pessoas, pela riqueza que expõe em cada palavra e ilustração.

Ángela León nasceu na Ilha de Maiorca, mas cresceu em Madri e se formou em design industrial. Realiza projetos artísticos no espaço público em diversos países. Escreve e ilustra livros direcionados para a cidade e a infância no Brasil e na Itália.

Se quiser mais detalhes sobre Lina Bo Bardi procure no Youtube dois vídeos muito bem elaborados sobre a obra dela.
 - Primeiro Tempo/ Sesc Pompéia 30 anos
 - Arquiteturas: Sesc Pompéia
Há também um livro de autoria de Lina, intitulado "Obra construída".














21 janeiro 2021

Oficina Mágica do Tio Árvore - livro de colorir

Alex Barbosa é Tio Árvore. Ele faz baleias esculpidas, autômatos, miniaturas, brinquedos, obras de arte em geral, tudo em madeira. E como se não bastasse , é também luthier.
Dani Zanelato é bióloga mas encontrou nas artes seu caminho. Trabalha com cerâmica, tecidos, lãs, linhas, tintas, encadernação artesanal e ilustração de livros.
Este é o segundo livro de colorir que Dani ilustra. O primeiro eu já trouxe pro Livros Vivos, é O Mundo Mágico de SemFim, que está na postagem do dia 14 de dezembro de 2020. Veja lá!
Uma ideia boa que surgiu destas pessoas ímpares é transformar as obras em madeira de Tio Árvore em personagens de histórias muito criativas, para colorir!
Você pode ver nas fotos, que ilustram este post, as cenas e a peça em que Dani se baseou para deixar sua imaginação solta e criar enredos onde tudo pode no mundo da imaginação.
Este livro de colorir é artesanal, de produção independente, o que eu valorizo muito. Acredito que toda autoria independente deve ser valorizada e incentivada, pelo esforço, idealismo e desprendimento que solicita.
Se desejar adquirir um exemplar entre em contato com Alex Barbosa no seu Instagram, @tio_arvore .
E se acessar @semfimdanizanelato, conhecerá mais trabalhos de Dani Zanelato, no seu Instagram.







Tio Árvore com página colorida por ele

Dani Zanelato

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