Projeto Independente

Acredito em fadas, gnomos, gênios, sacis, reinos encantados, mundos paralelos e na responsabilidade da palavra.
Por reconhecer o poder que ela exerce sobre nós, tenho como critério a qualidade do conteúdo na escolha dos livros que recomendo. Realizo uma curadoria de Literatura Infantil, busco material que possa contribuir para o aprimoramento humano.
Desde 2010 faço um trabalho de garimpo, recolhendo "pedras preciosas" que identifico com meu olhar atento.
Por ser um projeto independente, não mantenho vínculo de divulgação com editoras, livrarias ou escritores. Os livros compartilhados são adquiridos por mim e fazem parte do meu acervo particular.
Sejam bem-vindos!

01 setembro 2016

A Criação do Mundo - Contos e Lendas Afro-brasileiros

 Escrever sobre este livro é tarefa muito agradável. Leitura em que não se sente o tempo passar. O autor nos leva para as cenas dos contos com facilidade e assim podemos ser capazes de circular por entre os personagens sem que nos percebam e viver todos os momentos da criação do mundo, através da mitologia dos orixás.
Adetutu, uma jovem africana, é capturada por caçadores de escravos e levada ao Brasil num navio negreiro. Durante árdua viagem sonha com a criação do mundo pelos orixás. Ela se transporta  e acompanha todos os momentos da criação. De cada orixá ganha um presente que os representa e guarda  em uma sacolinha que leva consigo.
Adetutu tem a honra de encontrar os deuses de seu povo, Oxalá, Xangô, Iemanjá, Iansã, Exu, Ogum, Oxóssi, Ossaim, Ibejis, Iroco, Nanã, Omulu, Oxumarê, Euá, Obá, Oxum, Logum Edé, Ifá, Odudua, Oxaguiã. Cada um com seus mitos, ritos e objetos sagrados.
O navio negreiro chega ao Brasil, na cidade de Salvador, Bahia. Adetutu, se torna Maria da Conceição e protagoniza, como iniciada nos rigores da religião africana, a ancoragem do Candomblé, em terras brasileiras.
O autor Reginaldo Prandi, professor da USP, escreveu muitos livros de sociologia e mitologia, entre eles,  Mitologia dos Orixás e Segredos Guardados, que é uma excelente sugestão para quem deseja se aprofundar no panteão africano. Também escreveu livros infantojuvenis abordando temas da mitologia africana. Joana Lira, ilustra o texto compondo a obra com primazia.
Também acompanha o livro um apêndice, que nos esclarece sobre os deuses da mitologia afro-brasileira.
Mais uma sugestão de leitura deixo aqui. Estou certa que lhe encantará!






23 julho 2016

Os Meninos Verdes

Certa vez, os netos da vovó Coralina lhe pediram para contar a estória dos Meninos Verdes. Vovó deixa claro que não é uma estória, e sim um acontecido e sigiloso! Conta, mas só para eles!Tudo acontece na Casa Velha da Ponte, mais precisamente, na horta. Seu Vicente, que sempre cuidou de todas as plantações, foi quem encontrou os Meninos Verdes, quando um dia viu duas plantas muito diferentes, que quis jogar fora, mas vovó Coralina não deixou e pediu que observasse o que aconteceria com elas. Depois de alguns dias seu Vicente mostrou, todo espantado, a natureza daquelas plantas. Vovó viu! Eram menininhos verdes, bem pequeninos, gelatinosos, com dentes pontudos e unhas como garras de passarinho. Sete ao todo, quatro menininhas e três menininhos. E assim ficaram na casa, sendo muito bem cuidados. Os menininhos cresciam vitalizados e aos poucos vovó Coralina foi se vendo em apuros, tamanha a esperteza dos pequeninos. E não é que o acontecido chegou ao conhecimento da Primeira Dama? E é claro, depois ao Presidente da República? E é claro, ao corpo científico nacional e é claro, internacional, depois? Bem, o que era sigiloso, se tornou um estudo muito curioso, pois afinal, quem eram os Meninos Verdes? Duendes? Gênios Verdes? Ou simplesmente Meninos Verdes?
Cora Coralina, chama este conto de estória, mas eu digo que é uma história, porque acredito que Meninos Verdes existem e se você tiver uma horta ou jardim, quem sabe pode tê-los bem perto de você!
O texto é de Cora Coralina e as ilustrações de Cláudia Scatamacchia. O livro é lindo demais. Um encanto, como tudo de Cora Coralina!
 
Ilustração
 

18 julho 2016

O Rei Mocho

O Rei Mocho (conto originário dos sena, etnia do centro de Moçambique) é o primeiro volume de uma coletânea de dez volumes intitulada Contos de Moçambique, resultado de um projeto de colaboração entre a Escola Portuguesa de Moçambique e a Fundació Contes pel Món, de Barcelona, Espanha. Em 2016 temos a primeira edição brasileira desta coletânea que começa com este inspirador conto, a nos mostrar um reino de pássaros ao ver sua harmonia modificada por uma intervenção vinda de uma dedução, que faz acreditar haver má fé na consagração de mocho como rei dos pássaros, empossado para defender e manter a segurança da comunidade por ter chifres, mas que de fato eram penas em forma de chifres. Aqui o questionamento se faz no sentido da intervenção ou seja, levanta a dúvida do quanto é benéfico intervir com julgamento numa situação que, de certa forma corre bem. Faz indagar até que ponto nosso conceito de verdade pode provocar danos, pois nem sempre o que imaginamos ser um dano, pode de fato ser, e quando interferimos baseados em nossa visão podemos causar um desequilíbrio, muitas vezes de difícil solução. Ungulani Ba Ka Khosa, nome tsonga ( grupo étnico do sul de Moçambique) de Francisco Esaú Cossa, que reconta este conto introduzindo a figura humana como elemento a causar o desequilíbrio no reino dos pássaros, mesmo não existindo na forma original, por perceber o Homem como responsável nos desequilíbrios no ambiente ao seu redor. Destaco as palavras do autor ao explicar seus sentimentos ao ler o conto O Rei Mocho, por considerá-las de grande importância na reflexão que esta obra pode causar: "...o que mais me afetou foi esse saber secular demonstrado na história de que o crime moral, étnico, é tão ou mais cruel como os outros crimes. E a reparação desses males, seguindo a moral da história, valem por uma vida inteira. É uma lição que os tempos modernos tendem a anular." E ao se referir à intervenção arbitrária, ele continua dizendo em outro trecho: "...Imaginemos que o mocho tinha certeza de que os tufos de penas que alcandoravam na cabeça eram chifres à dimensão da sua espécie, e que outros pássaros tinham deste fato consciência. Mas o homem, querendo impor a dita verdade, dita outras regras..." Para completar a magnitude deste livro, as ilustrações são realizadas com pinturas em técnica de batique, de colorido fantástico, pelo artista moçambicano Americo Mavale. Fica pra você esta indicação, que me causou grande admiração.
Ilustração



15 julho 2016

O Catador de Pensamentos

Você conhece o Sr. Rabuja? Se não conhece precisa conhecer! Ele é um homem já idoso que faz algo muito especial. É um catador de pensamentos. Acha estranho? Pode parecer, mas é admirável seu ofício. Toda manhã, sempre as seis e meia, Sr. Rabuja passa pelas ruas da cidade onde mora catando pensamentos. Ele pode ouví-los, estejam onde estiverem, e quando os percebe, através de um suave assobio os atrai para sua mochila. É assim o dia inteiro. Depois os leva para casa e lá os separa por letras. Sim, letras! Prateleira A para pensamentos amáveis, agressivos.... Na prateleira B ficam os pensamentos bobos, bondosos.... Na C organiza os corajosos, caóticos....e assim até Z. E o mais bonito de tudo isso é que logo depois que descansa, planta todos esses pensamentos em canteiros de seu jardim e bem cedinho, um pouco antes do Sol surgir, Sr. Rabuja acorda e corre para ver as lindas flores que brotam, de todas as cores e formas. Tudo é encantador até que estas flores se transformam em partículas que sobem pelo ar emanando suaves sons! Não é fantástico! E estes pedacinhos de flores/pensamento entram pelas frestas das casas enquanto as pessoas ainda dormem, se depositam em suas testas estimulando sonhos e novos pensamentos.
A ideia de Monika Feth em escrever este texto foi demais feliz. Ela nos leva para um mundo que muitas vezes não nos damos conta, mas que está o tempo todo em nós e a nossa volta: os pensamentos que criamos, que tem vida, muito mais do que podemos imaginar! E com as ilustrações de Antoni Boratynski, tudo se torna deslumbrante.
Este é um livro que me fascinou logo na primeira leitura e estou certa de que você também gostará, especialmente se aprecia temas profundos e multifacetados, expostos de maneira inteligente e sensível.

sr.  Rabuja chama os pensamentos

 

15 junho 2016

Dunas de Água


"As palavras se diluem no ar e Zohra mergulha num sono profundo. Sonha com o pai e outros tuaregues jogando as redes nas águas do mar. Depois, eles as recolhem cheias de peixes e estrelas. Guardam os peixes nas cestas e jogam as estrelas para o alto, uma por uma, e elas vão se pendurando no céu." Não é lindo o texto? É um pequeno trecho deste livro, que é encantador desde a primeira página até a última. A narrativa e as belas ilustrações compõem esta obra que fala de uma menina tuaregue chamada Zohra. Ela ajuda sua mãe nas tarefas, conhece bem o calor e a areia do deserto que constrói as dunas, imagem constante para a menina delicada, mas muito esforçada. Numa tarde, pela primeira vez, a menina toma chá com a mãe, os avós, sua amiga Tinedla e suas tias. Enquanto a avó conta uma história antiga quando o deserto era um imenso mar azul, onde o vento formava grandes dunas de água, Zhora no embalo das palavras adormece e sonha. O mar toma conta de sua mente e a menina, encantada, vê seu pai tornar-se um pescador em cenas de peixes e estrelas. Quando é acordada pela mãe, deseja conhecer o mar com o pai. Zhora vive entre dois mundos: o que conhece e o que deseja conhecer. Quando o pai volta com a caravana que foi buscar sal, traz para a filha uma linda concha. É através dela que a menina ouve o som do mar quando a aproxima do ouvido e deseja mais ainda vê-lo. Seu pai lhe promete que quando completar treze anos a levará consigo em caravana para conhecer o mar. E assim, ela espera chegar o dia de sentir a água salgada, ver as estrelas e os peixes que vivem em seu sonho. O texto é de Javier Sobrino, espanhol, nascido em 1960. Professor e escritor de educação infantil. As belas ilustrações são de Alfonso Ruano, também espanhol, nascido em 1949. Mergulhem no sonho de Zhora e se encantem com este poema em forma de livro.

31 maio 2016

O Violino Cigano (e outros contos de mulheres sábias)

Contos recontados por Regina Machado e ilustrados por Joubert. São um primor e todos nos trazem a inteligência feminina. Regina os escolheu fundamentada em certas qualidades que considera femininas, como escreve: "receptividade, eloquência, sensibilidade, paciência, fecundidade, espera, concavidade, leveza, maciez, umidade, calor e proteção." e continua descrevendo esse universo em: "lago e não rio, gruta e não planície, terra e não chuva, cheio de atalhos e não direto."
É uma coletânea de dezesseis contos de várias origens: árabe, tibetana, turquestana, irlandesa, armênia, caucasiana, brasileira, persa, indiana, cigana, chinesa e grega.
Não sei qual deles é o mais bonito! Posso dizer que todos tem uma lição que dará margem à reflexão e compreensão do ser mulher.
Fica aqui mais uma sugestão para quem deseja mergulhar no mundo dos contos, que são contados e recontados para nos despertar no mais íntimo do nosso ser!
 

24 maio 2016

Contos e Lendas da Europa Medieval

Livro que faz parte de uma magnífica coleção de quinze títulos sobre o universo dos contos e lendas (gregos, africanos, egípcios, brasileiros, árabes, vikings, Roma antiga, Hércules, jogos olímpicos, cidades e mundos desaparecidos e cavaleiros da Távola Redonda).
Com texto de Gilles Massardier e ilustrações de Arnauld Rouèche será possível transitar por entre dragões, cavaleiros, lobisomens, monges, contadores de histórias, princesas, fadas e é claro, o diabo, que não poderia faltar! O clima criado é fantástico, onde a imaginação e o sobrenatural abusam de seus poderes.
São onze contos muito interessantes e se você, como eu, gosta do imaginário medieval, vai adorar cada página! Tudo é descrito com muita propriedade por Gilles, um professor de história, que tem interesse pela literatura medieval desde criança, talvez por isso sua narrativa seja tão agradável e envolvente!
Fica aqui mais uma dica para enriquecer sua biblioteca pessoal.

31 outubro 2015

Tic Tic Tati

Estou para encontrar algo mais lindo que este CD, com textos de Tatiana Belinky, música de Hélio Ziskind e voz de Fortuna!
Sou capaz de ficar uma tarde inteira ouvindo e viajando com os textos e poemas musicados de Tatiana. Com a voz de Fortuna, forte e suave, e a genialidade de Hélio traduzindo os sons e ritmos das palavras de Tati ( como seus amigos a chamavam ) é de encantar qualquer um, crianças ou aqueles que já passaram dos 58 como eu!
É uma obra que levou 3 anos para ficar pronta, mas valeu! É linda, delicada, bem humorada, e inspiradora.
Com projeto gráfico de Suli Kabiljo, ilustrações de Suppa, fotos de Nilton Silva e Edi Figueiredo e músicos de primeira.
Você vai ouvir: "O Caso do Bolinho", "Boa Ação", "Meu Gatinho", "Não Chorei", "O Grande Rabanete", "Coro das Bruxas", "Cantiga Famélica", "Dez Sacizinhos", "Limeriques do Bipede Apaixonado" e "A Operação do Tio Onofre", poemas e textos de Tatiana Belinky. Também ouvirá na voz de Fortuna, "O Vira", de João Ricardo e Luhli e "Lindo Balão Azul" de Guilherme Arantes. Hélio Ziskind compõe as duas últimas faixas, "Tic Tati" e "Na Roda da Fortuna"( um bom trocadilho!)
O selo é SESC, por isso pode ser encontrado em qualquer unidade SESC.
Acreditem em mim, é imperdível!






29 outubro 2015

Caixinha de Risos e Rimas


"- Sabe o que é um esqueleto,
    Epaminondas Prudente?
 - Claro que eu sei, professor:
    São os ossos sem a gente."

Este é um dos poemas  de Cláudio Feldman, são 25 ao todo.
Rimas engraçadas para crianças e adultos se divertirem. As ilustrações de Perkins fazem composição com o bom humor dos textos.
Conheça a Caixinha de Risos e Rimas e encontre leveza ao brincar rimando.

Contato com o autor: claudiofeldman@uol.com.br
E se o cágado falasse?

Eu e Cláudio Feldman

06 setembro 2015

Chapeuzinho Amarelo


Este é um livro acima de tudo inteligente. Faz uma análise profunda e divertida a respeito do medo. A dupla Chico Buarque e Ziraldo, unem palavras e imagens e realizam uma obra incrível! No começo a menina tem medo de tudo, mas de tudo mesmo! De tanto pensar no medo acabou dando-lhe uma forma de lobo; e não é que ele aparece pra ela! E não é que ela o enfrenta! A partir deste momento o medo começa a diminuir, mesmo que o lobo tente assustá-la novamente, a menina resiste e assim, brincando com as palavras Chico Buarque vai mostrando o enfraquecimento do medo. O lobo vira bolo e Ziraldo, com sua maestria traduz em imagens o que Chico idealizou. No final bruxa vira xabru, dragão vira gãodra, coruja vira jacoru e assim por diante. Tudo se transforma! A inteligência na narrativa está no exemplo de superação de maneira bela e poética. A dupla Chico e Ziraldo é aqui impecável. É fantástico o texto e a expressividade da imagem.
Uma obra como esta é fundamentalmente inspiradora para crianças, pais e educadores. Imperdível!





12 março 2015

As Fabulosas Fábulas de Iauretê


Este é um livro maravilhoso pra quem gosta de papos profundos sobre a vida. A narrativa nos traz a história de uma onça, chamada Iauretê. É uma onça-rei e que por magia de Tupã, de noite vira gente e de dia bicho, uma onça pintada. A história é contada em várias histórias, que são as fábulas, de um jeito bem interessante. Tudo acontece numa sequência analógica, orgânica. As histórias/fábulas vão surgindo como se fossem tecidas ou formando uma bela trança. Cada uma tem começo meio e fim, parece  não ter relação uma com a outra, mas no final se percebe que formam uma sequência a contar uma história só, assim surgem  as aventuras da onça/gente, que se casa com uma bela indiazinha chamada Kamakuã. Desta união nascem Juruá, que tornou-se um excelente caçador e Iauretê-mirim, um grande canoeiro.
O livro tem inicio com a onça/gente caindo em uma armadilha e vendo-se prestes a morrer pelos caçadores, passa a ter lembranças de sua vida inteira e desta forma o leitor mergulha nestas lembranças e a história é tecida. Tudo é muito intenso, belo e de grande sabedoria. Transcrevo algumas frases, só pra lhe dar uma ideia da riqueza do conteúdo: "- Calma! - Ouviu o silêncio de Tupã dizer. - "Quando se está no buraco, a única coisa que não ajuda é o desespero."; "Quando você se contraria e faz coisas que não são da sua natureza, você deixa de se amar."; "Justiça não é fácil! "; Além disso, como tudo tem uma raiz, a verdadeira justiça busca a raiz de onde nasceu a injustiça." Não são belos e profundos estes trechos? Assim é  o livro inteiro!
Estas fábulas indígenas são trazidas por Kaká Werá Jecupé, índígena de origem tapuia, escritor, ambientalista, conferencista; fundador do Instituto Arapoty, organização voltada para a difusão dos valores sagrados e éticos da cultura indígena. As ilustrações são desenhos de sua filha Sawara, quando tinha 11 anos.
Este é um belo livro, indispensável para uma boa biblioteca.
Aceitem esta aventura e mergulhem na história de Iauretê, a onça/gente,  sua bela família, meio gente, meio onça e aprendam com a sábia cultura indígena.





13 fevereiro 2015

A Contagem dos Sacis

Quanto vale uma palavra? Quanto vale a sua palavra? Vale muito!
Existem acordos feitos através de contratos no papel, com assinatura e tudo, mas também existem acordos verbais, onde a palavra dada tem valor de contrato assinado. Até mais, pois o que está em questão é a confiança, que quando ferida nem sempre pode ser recuperada.
Este é o tema principal deste livro escrito por Monteiro Lobato, que com sua narrativa simples e agradável traz para o leitor a reflexão sobre o valor da palavra, que no caso é de um saci.
Tudo se passa numa festa anual, onde os sacis se encontram e o chefe do bando faz a contagem para ver se não falta nenhum e por isso Pedrinho concorda em soltar um saci da garrafa, para participar da contagem. No final, Monteiro Lobato dá sua lição ética através da atitude do saci, que não vou contar para não estragar a surpresa!
Esta edição leva a ilustração de Gonzalo Cárcamo, que através de sua linda aquarela enriquece primorosamente o livro.



29 janeiro 2015

One Love


"É fácil e verdadeiro, mas parece a coisa mais difícil de se fazer. Desde o início humilde na Jamaica,  o que meus pais incutiram em nós sempre foi, e ainda é, o amor." É o que diz Cedella Marley, filha mais velha de Bob Marley. Ela escreve o livro, que na verdade é a transcrição da canção, One Love.
Um livro poético e terno, pois o tema principal é o amor entre as pessoas e a natureza. O amor está em tudo e a proposta é fazê-lo acontecer na harmonia das relações.
As belas ilustrações de Vanessa Brantley-Newton tornam a composição perfeita.



 Ouça também a canção e entre no clima da alegria e amor de Bob Marley





15 junho 2014

"Te Conto o que me Contaram: Contos da América Latina"

Alunos do ensino fundamental da Escola Villare de São Caetano do Sul, estiveram na Biblioteca Municipal Paul Harris, para o lançamento do livro "Te conto o que me contaram: contos da América Latina", no sábado, dia 14 de Junho. Esta é uma produção literária realizada pelos terceiros anos, A, B, C, D e E sob orientação das professoras Luize, Silvia, Juliana, Élita e Gisele, respectivamente, com participação das professoras de arte Natália e Lígia e da coordenadora pedagógica Helena Verderamis Sellani, junto com a vice-diretora Ligia Colonhesi Berenguel.
 
Entrada da Biblioteca Paul Harris com a exposição de arte dos alunos.


Exposição dos trabalhos de arte com o tema América Latina.


Ana Maria Guimarães Rocha, diretora da Biblioteca Paul Harris


Alunos no jogral contando "A Raposa e os Peixes"

Alunos e seus pais no momento dos autógrafos.


Ligia Colonhesi Berenguel, Ala Voloshyn, Ana Maria Guimarães Rocha e Helena Verderamis Sellani
 
Em 2013, tive a grata satisfação de realizar uma contação de história com os terceiros anos do ensino fundamental da época, da Escola Villare, na Biblioteca Paul Harris, em São Caetano do Sul, com os livros "Pimenta do Reino" de minha autoria e o "Espirro do Vulcão" de Tatiana Belinky, e por isso agora fui convidada a participar deste lindo evento.
As crianças estavam lá para apresentação de jograis e autógrafos, com a presença amorosa de seus pais. Eu e Ana Maria Guimarães Rocha, diretora da Biblioteca, pudemos falar o que nos passava pelo coração diante de tanta alegria, por um trabalho concluído com esforço e dedicação de todos os envolvidos.
Diante de tanto estímulo é impossível não se perguntar o que torna alguém um escritor? No meu entender, o fundamental, é a vontade de compartilhar suas ideias e tocar outros seres humanos. Como seu leitor o entenderá, já não é de sua alçada, pois a liberdade de reflexão não deve ser impedida. O escritor lança sementes de ideias ao vento, que em solos férteis germinarão outras ideias e assim é interminável seu ofício de tocar, de contribuir. Não é tarefa simples escrever, tem sua responsabilidade e é árdua quando existe o desejo de ser compreendido, mas apaixonante pelo seu poder de multiplicação.
Olhando aquelas crianças com brilho nos olhos, percebi o quanto gosto do ambiente de uma biblioteca, livros, troca de ideias, leitores e escritores. Deus, eu adoro isto! E percebo, que precisamos da experiência para termos consciência do que nos faz gosto, do que nos toca a alma e assim fica claro para mim como é importante para estas crianças escrever um livro e saber o que isto significa para elas.
Crianças, minhas queridas crianças, pequenos escritores, o que lhes poderia dizer bem do fundo do meu coração? Muitas coisas passam pela minha cabeça, mas tenho que escolher o que me parece mais importante, então lhes digo, sejam verdadeiras, sejam fiéis aos seus melhores propósitos, trabalhem insistentemente em suas criações, sejam elas de que natureza for, e conseguirão manifestar o que lhes vai na alma e crescerão por isso. Saberão desta forma, contribuir para que outros também se aperfeiçoem. Benditos seus pais que os apoiam, pois esta atitude lhes dá aconchego e forças para prosseguir. Encontrarão obstáculos, mas não esmoreçam, pois esta vida é plena de contrastastes e isto não é ruim, mas nos estimula a melhorar.
Pais, o que lhes poderia dizer? Continuem próximos aos seus filhos e jamais esqueçam que leitores surgem do gosto pelos livros, mas gostar não basta, é preciso desenvolver o hábito de ler e um hábito se instala pela repetição, por isso a leitura precisa ser estimulada primeiro no lar para que tenha continuidade na escola. Somente juntos conseguiremos educar estas crianças de potencial grande e belo.
Parabéns à Escola Villare e sua equipe de educadores! Parabéns às crianças! Parabéns aos pais! Parabéns à Biblioteca Paul Harris! E que venham outros livros assim como o "Te conto o que me contaram: Contos da América Latina"! Que assim seja!
 
 


13 novembro 2013

O Capitão e a Sereia

Confesso! Escolhi o livro pela ilustração! Depois, ao ler o texto, me convenci de que fiz a escolha certa.
André Neves é o responsável por tanta beleza e sensibilidade, ele escreve e dá forma às palavras através de um estilo exótico de imagens.
Conta-nos a história de um contador de histórias, que desperta encantamento e felicidade por onde passa. Não está só, tem uma trupe de mambembes que o acompanha e o ajuda a espalhar imaginação e poesia tocando a todos os que querem ouvir suas histórias, não importando aqui quantos ouvidos são, contanto que possa realizar o que mais ama fazer, contar histórias.
Neste texto fica claro o quanto a vida interior do contador de histórias se exterioriza e dá sentido a tudo o que é mostrado, pois só é possível tocar o coração do outro quando se faz vibrar o próprio coração, assim nos ensina André, através de seu personagem, Marinho, o contador de histórias!



Fonte da Ilustração: Google/imagens

11 outubro 2013

Os Sinos

Poema de Manuel Bandeira com aquarela de Gonzalo Cárcamo, não existe combinação mais bela!
Os sinos, com sua sonoridade nos remetem ao silêncio interno, nos imobilizam, são sempre um anuncio. Pode ser de alegria ou de dor, mas isto os sinos não escolhem, apenas sinalizam.

 "Sino de Belém, como soa bem!
  Sino de Belém bate bem-bem-bem."


Lindo Manuel que Carcamo soube revelar tão bem!

                                                        "Sino da Paixão - pela minha mãe!
                                                          Sino da paixão - pela minha irmã!
                                                          Sino do Bonfim, que vai ser de mim?"

Neste livro podemos ver a palavra e a imagem andando juntas como boas irmãs, que se completam e revelam uma beleza que precisamos para encantar nossa alma. 


Ilustração: Google

O Pato, a morte e a tulipa

Wolf Erlbruch escreve e ilustra este livro. Ele nos mostra sua visão sobre a morte de um jeito tão poético que é capaz de nos levar ao encantamento. Não se pode dizer que é um tema fácil, pois a morte é um enigma para a maioria de nós, mas Wolf Erlbruch, com sua serenidade, revela o quanto ela faz parte da vida e como aos poucos vamos aceitando que um dia acontecerá. Sua ilustração é tão singela que até me afeiçoei à morte, assim como o pato, que aos poucos vai construindo uma relação de afeto e intimidade com ela.
Tudo caminha com leveza e sensibilidade neste texto e penso que pode ser um valioso elemento para conversas francas a respeito da nossa amiga, a morte.
"- Ainda bem que você finalmente percebeu - disse a morte - Eu sou a morte."
"- Estou com frio - disse o pato uma noite. - Você não quer me esquentar um pouco?"














 Ilustração: Google

07 outubro 2013

O Gato Xadrez e Ciranda de Sonhos

Nesta foto estão eu, Marisa da Silva Moreno e Ademir Moreno Aguilar. Eles são casados e juntos lançam dois livros em um, "O Gato Xadrez", de Marisa e "Ciranda de Sonhos", de Moreno. É simples, de um lado vem o gato e de outro o menino com uma super imaginação.



Este gato é xadrez, mas poderia ser um bolão, pois gosta de comer, mas comer muito, até se complicar todo! A narrativa é uma poesia, toda rimada e bem divertida. É Marisa da Silva Moreno quem escreve e com este texto conquistou premiação no "I Prêmio Letrinhas Brasileiras". Ela é psicologa, como eu, e também gosta de escrever. As ilustrações e capa são de Rubens Cavalcanti da Silva, um homem de vários talentos: é artista plástico, fotógrafo e poeta. 
Será agradável ter um gato xadrez bem perto de você!




João é um menino com muita imaginação, faz de uma caixa de papelão uma embarcação e com dois cabos de vassoura rema para o alto-mar! Este menino inventa brinquedos, recicla e brinca até onde sua imaginação o puder levar. Com seus amigos cria um universo sem limites. É uma deliciosa história que nos transporta às brincadeiras de pega-pega, esconde-esconde, cabra-cega, figurinhas, fubeca, pião. Como se não bastasse a diversão, tudo é contado em rimas, tornando o texto ainda mais agradável.
Quem escreve é Moreno Aguilar. Ele trabalha na área de Tecnologia de Informação, de uma instituição financeira, é bacharel em Matemática e especializações em TI. Desde seus 19 anos participa de concursos literários com premiações como o "IV Concusrso de Cuentos Infantiles Los Niños del Mercosur" e "I Prêmio Letrinhas Brasileiras, como sua esposa Marisa.
Ele mantém um blog que você pode acessar http://contogotas.blogspot.com
As ilustrações e a capa também são de Rubens Cavalcanti da Silva

20 agosto 2013

O Espirro do Vulcão

Tatiana Belinky mostra neste livro um bom exemplo de limeriques, um estilo de poema divertido, em que cada estrofe contém cinco versos. O primeiro, o segundo e o quinto rimam entre si e o terceiro rima com o quarto, assim:
"Quem sou eu? Sou um vulcão modesto.
Não sou o maior nem o mais funesto.
Meu nome é até 'agradável',
mas impronunciável.
Sou apenas um vulcão honesto." 
O tema é o vulcão, mas ela faz um questionamento importante a respeito do verdadeiro perigo para o homem, o próprio homem.
Quem ilustra as páginas é Rubem Filho, um artista plástico especializado em gravura. Hoje escreve livros, mas já deu aulas, trabalhou com desenho animado, fez cartuns e charges.
Tatiana publicou mais de 250 livros infanto-juvenis. Traduziu, adaptou e criou peças infantis. Assinou artigos, crônicas e crítica de literatura infantil em importantes jornais do estado de São Paulo.Também passou para o português algumas obras literárias do universo infantil. Trabalhou muito Tatiana!
Neste ano de 2013 nos deixou com 94 anos, fez de sua vida longa e frutífera um modelo a ser seguido. 

Fonte da Ilustração: Google


24 julho 2013

Alma - a história da arena esportiva mais antiga do país

Capa
Ta aí um bom livro pra quem gosta de futebol, mas especialmente de história. Gostoso de ler, com ilustração de primeira. Narra uma história que aconteceu em São Paulo, onde numa arena esportiva aconteceram fatos históricos, no mínimo interessantes,  como o primeiro jogo oficial do futebol brasileiro, a primeira corrida de automóveis da América Latina, o pouso do primeiro avião do primeiro correio aéreo brasileiro! Figuras históricas também fazem parte, como Santos Dumont, Roland Garros e é claro, não podiam faltar grandes jogadores de futebol brasileiro, como Leônidas, Ademir da Guia, Zico, Sócrates, Garrincha, Pelé, entre outros tão ilustres quanto. 
A pesquisa histórica e roteiro são de responsabilidade de José Custódio Rosa Filho, paulistano, de Interlagos, cartunista, chargista e ilustrador. Vencedor do Prêmio de Tiras do Jornal Estado de São Paulo em 2008. A pesquisa de imagem e ilustração são de Luiz Carlos Fernandes, paulista de Avaré. Ilustrador, caricaturista, chargista e escultor. Colecionador de inúmeros prêmios em Salões de Humor, nacionais e internacionais.
Parque Antarctica / São Paulo, 1901

"Sincero e palmeirense, Marcos..."


















Tudo com direito a imagens de making of e referências bibliográficas. Trabalho completo!
Maiores informações poderão ser obtidas pelo e-mail contato@almaolivro.com 

18 agosto 2012

A Maior Flor do Mundo


José de Souza, este foi o nome dado a um menino que nasceu  em 1922 num pequeno vilarejo português chamado Azinhaga, na província de Ribatejo. Seu pai o chamou assim, mas o escrivão da cidade, por decisão própria acrescentou Saramago, apelido do pai, e assim surgiu José Saramago. Com certeza um anjo sussurrou no ouvido do escrivão e ele obedeceu. Na verdade certeza não tenho, mas é possível, pois José Saramago é nome perfeito para alguém que foi tão sensível e inteligente capaz de  envolver seu leitor!
Este livro escrito por ele e ilustrado por João Caetano é primoroso e conta a história de um menino, pequeno em seu tamanho, mas grande em seu feito, por um único motivo, assim o quis.
A história é narrada de forma simples e poética e deixa claro que as barreiras existem apenas em nossa mente e quando a vontade é grande e o coração livre e terno o impossível se torna real.
É um livro escrito para crianças, mas também inspirador para adultos que desejam se envolver com o belo e o profundo.
O grande menino Saramago nos deixou em 2010, mas sua obra já faz parte das nossas vidas, pois assim o quis!

28 março 2012

A Colcha de Retalhos

Tudo que vivemos nesta nossa vida não pode ser apagado. Nossa história é feita de pequenas histórias que, como numa colcha de retalhos, unidas formam uma imensidão de desenhos, cores e texturas. É assim a vida de todos nós, uma imensa colcha de retalhos que gera muitos sentimentos e um deles é a saudade. Alguns não gostam de senti-la, pois percebem que não conseguem voltar ao passado, mas nem devem, porque o que foi vivido está dentro de cada um e somente quando o passado se transforma em história é possível avaliar sua importância.
Este é o tema deste lindo livro escrito por Conceil Corrêa da Silva  e Nye Ribeiro. As ilustrações são de Ellen Pestili.
Eu recomendo com sinceridade.

19 março 2012

Dado o Gato sem Rabo

"Dado vivia com pressa e corria sem direção.
Corria para o lado certo, corria na contramão"
Não é lindo um texto rimado? Eu acho muito simpático e divertido! Ele nos fala de um gato que não tem rabo, mas uma solução encontra para isto. 
É singelo o livro e a ilustração compõe um clima agradável e pueril. 
Foi escrito e ilustrado por Seri, Sérgio Ribeiro, jornalista e ilustrador. 
Este é um livro de poucas páginas que pode dar asas à imaginação e estimular boas conversas sobre gatos. Eu recomendo!

22 janeiro 2012

O Amigo Fiel

Com texto de Oscar Wilde, adaptado e ilustrado em aquarela por Cárcamo, "O Amigo Fiel" é um excelente conto para estimular reflexões sobre a generosidade.
Às vezes ao sermos generosos colocamos o outro em primeiro lugar fragilizando-o e caímos em verdadeiras armadilhas de um tirano egoísta se fazendo de coitado, com argumentos fortes na ponta da língua.
Ao acreditarmos que toda boa relação pressupõe troca, pensamos não haver troca quando o egoísmo impera.
Se analisarmos melhor, generosidade em excesso pode esconder uma necessidade de valorização própria e deixar-se usar pelo egoísta bajulador e preguiçoso exibe um "acordo" de troca, nada saudável, é claro!
Através deste trabalho Cárcamo nos dá uma boa oportunidade para desenvolvermos conversas sobre a generosidade, egoísmo, amizade e acima de tudo a verdade, que está no equilíbrio das coisas e não numa moralidade estanque.

01 janeiro 2012

A Roupa Nova do Rei


Quais são as consequências da vaidade, acompanhada por um egoísmo um tanto quanto comum?  E se esta vaidade pertencer a alguém de poder? E se este poderoso for um rei com uma corte meio burra, sem opinião própria, por estar comprometida em sua posição? Ser rei é uma coisa, mas ser amigo do rei agrava qualquer circunstância, pelo desejo de manter os benefícios a qualquer custo, mesmo que seja através da mentira e muita encenação. Este texto de Hans Christian Andersen, adaptado por J. Borges e Jô de Oliveira descreve esta triste e perigosa vaidade que acaba expondo um rei ao ridículo.
Esta é uma história divertida, que se torna mais divertida ainda por ser em cordel. Tudo divertido estimulando a reflexão, coisa que todo bom livro pode conseguir.

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